A Queda do Olimpo

2. - A ascensão romana

Com a Cidade de Zeus agora em reconstrução, os deuses gregos mantêm-se ocultos entre os descendentes outras criaturas e no pelas duas dimensões, buscando recuperar suas forças antes de tentarem retomar os domínios perdidos durante o lapso temporal causado por Cronos. Os Titãs, com exceção de Atlas e alguns poucos aliados dos gregos, desapareceram — provavelmente aguardando à sombra o início iminente da guerra entre gregos e romanos, enquanto restauram o poder que perderam após incontáveis eras aprisionados no Tártaro.

Na última cidade grega ainda existente, a cidade de Zeus, onde nossa história se desenrola, descendentes vindos de diversas linhas temporais e realidades se esforçam para reconstruir o único ponto de segurança que lhes resta. Ao mesmo tempo, os deuses aguardam de seus filhos... o melhor preparo possível para a verdadeira guerra que se aproxima.

O papel de antagonista agora recai sobre os romanos, que, mesmo após tentativas de paz por parte dos gregos no passado, cultivaram um profundo ressentimento, sobretudo pela negação de Hades em reconhecer a legitimidade romana. Com o desaparecimento dos deuses gregos, aproveitaram-se do vácuo de poder para usurpar os domínios de seus 'irmãos divinos'. Agora, caminham para cravar o golpe final que poderá extinguir, de uma vez por todas, qualquer distinção entre as mitologias.

2.2 - A ilha da Mãe: A casa de Deméter

Parte 1: O Território de Deméter

Meses se passaram desde o acontecimento temporal que apagou — e ao mesmo tempo trouxe de volta — seres gregos, divinos e semidivinos, da linha temporal de 1969 para o ano de 1999. 
Athenerva, ou apenas Atena ou Minerva — atualmente prefeita... ou, líder da Cidade de Zeus, em lembrança da punição que lhe foi imposta por Zeus — sente uma energia divina se manifestar diante da porta de sua diretoria... Era Deméter.

Com a pele negra e cabelos cacheados castanhos, a deusa se apresentava em uma forma humana comum, buscando ajuda diretamente com Atena. Um de seus domínios mais importantes, que agora estava sob o controle de sua contraparte romana, Ceres, encontrava-se quase totalmente esvaziado de energia divina. Isso significava que Ceres não vinha regendo o local nos últimos meses — o momento perfeito para uma retomada estratégica do território.

Territórios divinos, assim como orações e crenças, dão poder aos deuses. E, com a dominação completa romana, o outro lado da guerra estava em uma extrema vantagem.

Em resposta imediata, Atena convoca uma equipe de despertas. Deméter, por sua vez, se dispõe a esperar do lado de fora da cidade, na floresta, para evitar o alvoroço que sua presença divina poderia causar entre os habitantes.

- Amélia Michaels, desperta e filha de Afrodite, ex-desertora da cidade grega, participou do combate contra Atena no Vietnã, rank Vanir. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. É mãe de um herdando, Kaiser Zeppeli Michaels, junto com Raggio Zeppeli. Ela estava gravida durante o combate com Athenerva e o colapso temporal.
- Elise Schmid, desperta e filha de Júpiter, discordando dos atos dos romanos aliou-se aos gregos assim como outros romanos que perceberam que as ações de suas divindades não estavam corretas. Possui um poder latente e um grande domínio de raios. É extremamente protegida por Raggio, que não quer que aconteça com ela o que aconteceu com seus outros irmãos.
- Clhoe Chase, desperta de Pandora, Uma garota quieta, mas sempre registrada como uma das mais poderosas da cidade, não se sabe muito sobre ela. É enfermeira, passa muito tempo na biblioteca. A garota possui uma vasta gama de poderes graças as suas bençãos de nascimento.
- Charlotte I. Charpentier, filha e desperta de Hermes, Astuta, um pouco recuada, irritante quanto da, típica descendente de Hermes, extremamente veloz e facilmente uma das mais rápidas da cidade de Zeus. Ela pertencia ao condado de Hades.

No coração da floresta que circunda a Cidade de Zeus, à entrada de um antigo santuário, Deméter aguardava o grupo feminino — que não demorou a chegar. Amélia Michaels foi a primeira a aparecer, seguida por Charlotte Charpentier, Elise Schmid e, por último, Chloe Chase.

Após uma breve conversa, a deusa grega, que advertiu sobre a sensibilidade do local que estavam prestes a visitar, enviou o grupo para uma ilha paradisíaca por meio de um furacão com aroma de menta. O lugar era deslumbrante — quase impossível não se deixar envolver pela beleza exuberante da paisagem. Todas, com exceção de Amélia, estavam completamente encantadas.

A filha de Afrodite propôs que se dividissem em duplas para explorar e reconhecer melhor a margem da ilha. Assim, Amélia e Chloe seguiriam para o lado esquerdo, enquanto Charlotte e Elise ficariam responsáveis pelo lado direito.

Durante esse breve momento de organização, houve tempo suficiente para que Deméter lhes enviasse uma mensagem através dos poderes de Íris. A deusa, visivelmente nervosa, admitiu seu esquecimento inicial e revelou informações cruciais para a missão: o objetivo era localizar o altar de Ceres e realizar a troca das pedras de poder.

A pedra de Deméter, de ômega divino, foi confiada a Amélia. Antes de encerrar a mensagem, Deméter reforçou a importância de manter a harmonia dentro de seu lar sagrado.

Parte 2

O resultado das escolhas anteriores revelou apenas que os arredores da ilha estavam vazios. Nenhuma criatura, nenhuma ameaça — apenas o silêncio e a brisa salgada do mar. Mas, de repente, o grupo de semideusas sentiu um leve tremor sob seus pés. Um terremoto breve e inesperado passou rapidamente, como um sussurro da terra.

Em um último olhar para trás, tudo o que se via era o vai e vem tranquilo das ondas... trazendo consigo uma pequena tartaruguinha que retornava ao mar. Estava tudo aparentemente seguro.

Com o objetivo agora mais claro, as descendentes reformularam sua formação para permanecerem unidas. Seguindo a sugestão de Amélia, decidiram adentrar diretamente a floresta. Charlotte, de Hermes, com seu raciocínio ágil e experiência entre os agricultores, utilizou sua rara habilidade de comunicação com as plantas. Ao tocar uma árvore, ela balançou suas folhas — não pela ação do vento, mas como resposta positiva.

Diante elas, um caminho se abriu, com cerca de seis metros, ladeado por arbustos espinhosos e plantas de cores intensas e encantadoras... mas que pingavam veneno. A beleza da floresta mascarava seus perigos. Felizmente, o grupo escapou ileso do primeiro obstáculo.

Avançando pela mata, logo perceberam que não havia retorno — apenas o caminho à frente. As plantas pareciam colaborar, mas a trilha não levava a lugar algum. Isso porque Chloe Chase, de Pandora e a única abençoada diretamente por Deméter, não expressava o verdadeiro desejo do grupo. Era necessário mais do que passos — era necessário propósito.

Durante a marcha, sons começaram a preencher a floresta: o farfalhar das árvores, galhos se quebrando, sussurros indistintos... Animais? Videntes? Estavam numa ilha, afinal.

O vento era suave, fazendo as árvores assoviarem como instrumentos antigos. A correnteza das águas acompanhava o compasso do ambiente, transmitindo uma paz quase sobrenatural. O som suave de uma flauta celta ecoava por toda a floresta. Era hipnotizante.

Adiante, puderam avistar o que parecia ser uma pequena vila. Casas rústicas, feitas de madeira, pedra e terra, indicavam que alguma espécie habitava o local. O som dos galhos aumentava, trazendo inquietação ao grupo. Outro tremor sacudiu o chão, e a dúvida se instalou.

— Essa ilha... é tão perigosa assim? — questionou Elise Schmid, filha de Jupiter.

Charlotte sugeriu que fossem até a vila, mas antes que tomassem uma decisão, uma pequena árvore correu em direção ao grupo — e tropeçou! A cena era cômica e quase adorável. Ao se levantar, a árvorezinha carregava um escudo. Sua doçura distraía as garotas, quando, de repente, raízes emergiram e prenderam os pés das semideusas, fixando-as ao solo.

Rajadas de luz foram lançadas contra elas. Um homem de pele esverdeada, empunhando uma espada, surgiu camuflado entre as árvores — ele era o responsável pelas prisões e pelos ataques. Logo, quatro pequenos soldados semelhantes a árvores apareceram, armados com porretes, tentando acertar as cabeças do grupo.

Outros dois guerreiros surgiram: os Cavaleiros de César. Altamente protetores de seu território, alçaram voo com espadas em punho, mirando Elise, cuja aura era intensamente poderosa. Ao longe, as árvores estremeciam... e do solo surgiu um enorme javali feito de madeira viva. Dezenas de chicotes vinham em direção às garotas, tentando atingi-las, e pingando veneno!

A resposta do grupo foi rápida e eficaz. Charlotte tentou saltar para escapar das raízes, mas não teve sucesso. Elise, no entanto, não tentou se soltar — Chloe já estava manipulando parcialmente as raízes em seus pés, seu controle sendo superior ao dos Cavaleiros. Amélia, com força bruta, rompeu suas amarras.

Com Charlotte ainda presa, Elise usou sua aerocinese para desviar as rajadas de luz, direcionando-as para longe do grupo. Chloe tentava escapar dos chicotes, mas teria sido atingida — se não fosse pela agilidade de Amélia. Empunhando a espada abençoada por Hipnos e Afrodite, ela cortava os galhos que ameaçavam suas companheiras.

A batalha era intensa. Elise, ao rebater as espadas inimigas, aplicou tanta força que lançou um Cavaleiro aos céus e outro ao chão. Amélia, mesmo com seu carisma encantador, nada pôde fazer contra seres que já possuíam um amor verdadeiro, fiel e inabalável. Mas isso não a impediu de confrontar o enorme javali que avançava contra elas.

Então, inesperadamente, da benção concedida de Héstia pra ela e seu filho, Kaiser, surgiu um leão em chamas. Suas labaredas assustaram todos os seres de César, mas ele não atacava — apenas protegia Amélia. Num impulso desesperado, mas inteligente, Amélia ergueu a joia de Deméter. Imediatamente, os inimigos cessaram o ataque.

Um dos Guerreiros de César percebeu que as garotas nunca haviam atacado de forma ofensiva — apenas se defenderam. Após uma longa conversa, Amélia o convenceu a ajudá-las.

O guerreiro revelou que a criatura que guardava a Pedra de Ceres era desconhecida — ninguém jamais a vira, mas todos sabiam de sua ferocidade.

Com um acordo firmado, o guerreiro guiou as garotas até a entrada do altar. Um novo tremor sacudiu o chão, e uma imensa rocha se ergueu sob os pés do grupo, levantando voo.

Agora, a cerca de vinte metros de altura, as descendentes podiam ver a vastidão da ilha... e sabiam que sua jornada estava apenas começando.

Parte 3 

Assim que seus olhos tocaram as sete pedras no topo do altar, algo mudou. O mundo pareceu parar.

O tempo congelou por um breve instante — um segundo que durou uma eternidade. As pedras vibraram, cada uma emitindo uma frequência distinta, como se estivessem "cantando" algo que apenas o espírito poderia compreender. Os olhos das semideusas começaram a arder, mas nenhuma conseguia desviar o olhar. Não era dor... era transcendência.

Uma força invisível oscilou no ar, e seus corpos foram tomados por uma energia estranha, mas familiar. As sete pedras então explodiram em luz, envolvendo cada uma das garotas em um raio distinto de cor — vermelho, azul, verde, dourado, roxo, prateado e rosa. Cada cor parecia falar diretamente com a alma delas, tocando partes esquecidas, lembranças apagadas, desejos nunca revelados.

Charlotte viu por um momento sua mãe em um campo florido, sorrindo.

Chloe sentiu uma onda de liberdade, como se todas as correntes do mundo tivessem se partido.

Elise foi levada a um céu estrelado onde relâmpagos dançavam como ágeis bailarinos em sua honra.

Amélia, porém, viu… escuridão. Mas, no fundo, uma única chama persistia. Era pequena, mas ardia com intensidade e paixão que nenhuma sombra podia apagar.

Então... uma presença se ergueu da vegetação.

Não um monstro grotesco. Não uma fera. Mas uma figura de beleza alienígena, incompreensível. Tinha corpo de serpente e forma feminina, olhos como galáxias rotativas e uma aura que oscilava entre o divino e o profano. As sete pedras orbitavam ao redor de sua cabeça como luas dançando em torno de um planeta esquecido.

Ela falou — sua voz era como mil vozes em uma:

— "Vocês desejaram, e agora estão presas. O que se ganha com desejo é pago com alma. Quem de vocês pagará o preço?"

O tempo retomou. As pedras flutuavam, ainda brilhando, mas agora pareciam mais pesadas, como se cada uma guardasse um fardo divino. A criatura deslizou à frente do altar, e o corpo do Cavaleiro evaporou, sua seiva recolhida em gotas que se uniram às raízes da vegetação sagrada. A alma dele, talvez, tivesse comprado tempo suficiente para que elas escolhessem.

Amélia deu um passo à frente, ainda em sua forma divina. O brilho em seus olhos desafiava a entidade:

— "Então o desejo é o preço? Que assim seja... mas nós decidimos como e por quem ele será pago."

E a pergunta pairava: qual era o desejo delas?

Salvar Deméter? Restaurar César? Trazer o Cavaleiro de volta?

Ou algo ainda mais profundo... que nenhuma tinha coragem de dizer em voz alta?

As pedras ainda flutuavam. A escolha estava por vir.

Parte 4

Charllote Charpentier

Não se pode confiar em mitos ou lendas... não cem por cento. No momento em que as garotas olharam para as joias flutuantes e brilhantes, suas mentes foram dominadas por um poder único e evasivo. Nem Elise, descendente de Zeus, podia lutar contra aquele domínio psíquico. Cada desperta se veria em um "mundo" novo... ou um sonho terrível.

Para Charlotte, a desperta de Hermes, ela se encontrava em meio a um dos eventos mais importantes da Cidade de Zeus: as olimpíadas! Ela estava numa corrida contra Luxio, descendente de Zeus e seu atual rival em velocidade. Não importava o quanto ela corresse, a linha de chegada parecia se distanciar cada vez mais. Até sentiu uma lata de refrigerante bater em sua cabeça... mas não para Luxio! O descendente de Zeus ultrapassou a desperta e chegou em primeiro lugar. Ele estava imponente ao lado de Hermes, o Deus sentado em um trono feito de estátuas de premiações de corrida, olhando com certo desprezo para a filha, desviando sua atenção para Luxio e dizendo o quanto ele poderia ser seu verdadeiro filho — entregando-lhe até uma bênção.

A desperta continuava a correr, sem desistir facilmente, mas... diversas mãos agarraram seus pés, e a garota caiu de uma vez só.

"Devia ter se esforçado mais! Trouxe vergonha ao seu pai por pura preguiça!!!" — eram frases ditas à garota. As palavras cortavam mais que o metal mais mortal... Charlotte sentia seu peito doer e a linha de chegada cada vez mais distante. A garota quase aceitou aquela condição... se não fosse pelas palavras de Hermes. Ela havia se esforçado tanto, e a raiva dominava seu coraçãozinho pouco a pouco. Mas seu raciocínio era mais racional, e a garota se negava a cair naquele jogo. Com a lata de refrigerante em sua mão, ela resolveu mostrar ao seu pai e ao descendente de Zeus a verdade: ela não era preguiçosa. Era desperta de Hermes e correria o mais rápido que pudesse. E foi exatamente isso que fez: voltou ao começo e correu até a linha de chegada — e conseguiu! Gritou e gritou, mostrando quem havia realmente trapaceado: o próprio Luxio! A garota começou a criar o maior alvoroço.

Aquela situação, por mais ridícula que fosse, deu certo. Ao seu redor, uma risada feminina ecoou, e tudo começou a se desfazer como cacos de vidro. Em pouco tempo, Charlotte recobrava a consciência... seu corpo coberto de hematomas e exausta. O círculo de fogo que a protegia era inútil. Pouco a pouco, a silhueta da criatura tomava forma. As sete esferas que as garotas viam... na verdade, eram os olhos daquela criatura amaldiçoada. Tentáculos faziam parte do seu corpo, substituindo seus cabelos. Sua pele era escamosa. A criatura levou seu dedo indicador aos lábios, ordenando que Charlotte permanecesse em silêncio.

Elise Schmid

Enquanto isso, para Elise, a desperta de Jupiter, ela se encontrava em um lugar que não conseguia reconhecer. Aos seus pés, seu irmão mais velho estava caído. Não era possível ver seu rosto, mas Elise reconheceria as marcas de bênçãos e tatuagens de trabalho. O homem tossia, logo depois questionando Elise. Diversos ferimentos começavam a surgir, seus ossos se quebravam. O pavor em Elise era nítido — ver seu irmão daquele jeito... Mas logo sua voz, abafada e sofrida, começou a proferir insultos à garota. Raggio a chamava de mimada e inútil, questionando por que nunca havia usado seus poderes como deveria, por que não havia ido até o limite.

De repente, o corpo do homem era violentamente esmagado. Uma criatura gigantesca — cabeça de dragão, vários tentáculos com cabeças de cobras e asas imensas se abrindo. Ela rugia, e o som era idêntico ao choro da mãe e do irmão humano de Elise, milhões de vezes amplificado. Era muito doloroso ver aquela cena. A desperta de Jupiter se viu obrigada a virar o rosto e fechar os olhos. Sentia-se fraca, sem poder voar ou correr... não havia escapatória.

No entanto, ela sentiu um toque suave em seu rosto. Lábios beijaram sua testa, e ao abrir os olhos... era Raggio! Ainda ferido, quase irreconhecível. Um olho cego, o outro nem sequer estava lá. Ele gritou seu nome, e trovões ecoaram nos céus. Elise começou a engasgar... seu irmão estava a enforcando! Ele era forte, e ela tinha dificuldades para se soltar. Pediu desculpas — pelo que havia feito e pelo que faria. Usou sua força máxima para empurrá-lo, sem sucesso. Ainda sendo sufocada, desferiu um soco no rosto do irmão, quebrando o crânio do "zumbi" com o impacto. Mas ele não se moveu. Então, Elise conjurou um relâmpago e tentou curá-lo. O aperto no pescoço apenas aumentava. Em um último apelo, segurou os braços do irmão e estava prestes a quebrá-los... mas memórias de seu irmão humano voltaram à sua mente.

Ela então compreendeu: deveria admitir seus medos. Elise revelou que o verdadeiro motivo de não usar todo seu poder era o medo de machucar quem ama. O zumbi hesitou. Em um instante, o corpo de Raggio foi tomado por uma explosão elétrica, paralisando-o e queimando-o.

Elise conseguiu. Venceu o desafio. O cenário começou a se desfazer, a quebrar como vidro. Ela acordou no chão, a uma distância de Charlotte, que também já estava desperta. As marcas dos dedos ainda estavam em seu pescoço.

Chloe Chase

Já para... Chloe, o caos se instalava dentro da Cidade. Um combate se iniciava. Uma nuvem lilás cobria todo o local, e diversos despertos corriam para todos os lados. Ao longe, uma criatura roxa, feita de algum líquido, com vários tentáculos, atacava e matava quase instantaneamente os moradores da Cidade de Zeus. Era um "mini Kraken", feito de veneno! A deusa Akhlys estava por trás disso...

Nas mãos da desperta de Pandora, uma caixa surgiu e, numa explosão, foi aberta — começando a sugar Chloe para dentro. Todos os seus medos se tornaram evidentes. Os pecados que cometeu em vida... seus atos que levaram à morte de alguém próximo... se tivesse agido diferente, talvez Henry ainda estivesse vivo...

"Você acha que ele não te culpa, Chloe?" — uma voz familiar e feminina falava à desperta de Pandora. Ao abrir os olhos, Chloe viu quem era... Amélia! Estavam numa sala escura. A filha de Afrodite não poupava nas ofensas e continuava a falar... até que algo a interrompeu. O corpo de Henry caiu do céu, se espatifando no chão. Coberto por um manto escuro — exceto pela mão.

Amélia continuava a falar, enquanto Chloe se aproximava de Henry. Ao tocá-lo, ele se levantou. Sem o manto, seu corpo estava em decomposição. Chloe se desesperou. Amélia era como uma irmã mais velha, alguém que admirava. E Henry... talvez fosse seu maior arrependimento. Ela implorava por perdão, tropeçando na caixa e caindo. Chorava e pedia perdão.

Mas o filho morto de Zeus começou a se arrastar até ela, acusando-a por sua morte. Seu martelo surgiu em sua mão, emitindo eletricidade. Ele lançou o martelo contra Chloe, que desviou. Ela questionava Henry — afinal, não era sua responsabilidade salvá-lo. Correu em direção à caixa... a mesma que a havia levado até ali. Assim como no dia do ataque de Akhlys, Chloe abriu a caixa de Pandora. Dessa vez, foi sugada para dentro, e a explosão de energia desfez a ilusão rapidamente.

Vencer medos ou não repetir erros: essas eram as "lições" aprendidas hoje. Chloe acordou no chão do templo e viu Elise e Charlotte, também despertas. Faltava apenas Amélia... mas a semideusa parecia não estar numa situação muito boa, pois seu corpo se debatia.

Amélia Michels

Finalmente, Amélia; ela estava em casa, ou pelo menos no local que havia acostumado a chamar de casa. A filha de Afrodite estava na sala, mas sons estranhos começavam a vir do quarto. Gemidos. Uma luz rosada emanava por baixo da porta. Por mais que não desejasse se mover, seu corpo era obrigado a seguir naquela direção. Antes mesmo de chegar tão perto, a porta do quarto abriu-se sozinha. O que seu olhar encontrou partiu seu coração. A voz de Raggio abafada pelo cansaço de estar... com outra mulher na cama. Seu corpo cobria alguém, mas não importava quem estava ali... Amélia recuou um passo para trás, seu ar faltava e o cenário parecia rodar. Ao olhar mais atentamente, a filha de Afrodite reconheceu... Amélia sentia seu coração despedaçar cada vez mais, como se fosse possível destruí-lo ainda mais. Era... Brittta Karin, uma devota de Hera, cujo único desejo era ter Raggio para si e, bem, agora havia conseguido. Seus olhos enchiam-se de lágrimas, Amélia estava prestes a chorar quando... uma terceira presença, ainda submersa demais no próprio prazer para notar a... própria filha. Afrodite estava ali. Antes que a garota pudesse reagir, a porta se abriu novamente e revelou...

— "Você brincou... com nossos sentimentos... você é horrível. Se considera mãe?" — O filho de Hades, Duff, e um desperto de Hefesto, pronunciavam tais palavras em conjunto. Ofensas e mais ofensas, além da voz de Raggio chamando-a para a cama.

Talvez por instinto de autoproteção, Amélia começava a proferir ofensas também. Ela dizia ter nojo de já ter amado qualquer um daqueles presentes, mesmo que em seu coração se partisse em milhares de formas diferentes. Deslizava as mãos contra seu corpo para limpar aquele sentimento obscuro. Quando Amélia chamou Raggio de "Zeppeli", o quarto pareceu tremer e uma voz ecoou "esse nome", mas logo desapareceu, e a ilusão permaneceu perfeita.

Aquilo ainda estava acontecendo nos pensamentos de Amélia. Duff e o Holt continuavam a proferir mais e mais ofensas contra a semideusa que um dia amaram, além dos gemidos que se tornavam mais altos. Naquela pequena distração, o filho de Hefesto tentou acertar um chute no rosto da garota, mas ela agiu de forma mais rápida, desviando do golpe. O filho de Hades, Duff, conjurava chamas negras e a garota, numa ação rápida, invocou seu item abençoado por Hipnos e Afrodite, uma espada longa, A Vorpal. Ela desferiu um único golpe na região do pescoço dos meninos, da direita para a esquerda. Por mais que aquela não fosse sua intenção, Amélia acabou por rasgar suas gargantas e, consequentemente, matá-los. Porém, toda a ilusão foi modificando-se quando a semideusa pronunciava o nome "Zeppeli"; a cada palavra dita, um tentáculo surgia e a acertava no rosto, além de jogá-la contra uma parede, "esmagando-a" e revelando novamente aquela criatura feminina tentacular.

— "Tirou tudo de mim" — dessa vez, era uma voz feminina que a mulher não conhecia. O chão começou a tremer... não, o cenário inteiro estremecia. Amélia caía sentada ao solo, com dificuldade para respirar e muita dor, mas ao menos agora conseguia controlar sua mente. Uma luz esbranquiçada surgiu em seus braços, era... Kaiser, seu filho! Era o desejo interno de Amélia: estar com seu filho e Raggio, que também se manifestava. Numa investida rápida, a mulher amaldiçoada começou a correr na direção da semideusa, que não tinha mais forças. A mulher gritava, implorando para que devolvesse seu filho. No entanto, Amélia virou-se para o Raggio que estava ali... seu corpo diminuía e ele voltava a ser um bebê... o bebê de Elizabeth DeWitt. Ela segurou sua criança e chorou. A ilusão começou a desaparecer; diferente das outras garotas, Amélia acordou sentindo-se normal. No entanto, Elizabeth continuava em seu pranto, sentada no chão e com os braços envoltos no que antes era seu bebê.

— V-você é Elizabeth... DeWitt? — Questionou Amélia engolindo em seco.

Um nome que a muito temo havia sido dito por Athenerva.
Aquela, era a mãe biológica de Raggio Zeppeli. Ou melhor, Odin DeWitt.

Elizabeth ainda chorava. Seus dedos estavam cerrados em torno do nada — um nada que, para ela, ainda era tudo. Seu rosto afundado em lágrimas, seus olhos distantes, perdidos em um tempo que não voltaria. Amélia permanecia imóvel, sentada no chão, encarando a mulher com uma mistura de compaixão e culpa que lhe pesava no peito.

Por um momento, tudo parecia congelado no silêncio sufocante. Então, lentamente, Elizabeth ergueu o olhar, seus olhos encontrando os de Amélia, carregados de uma tristeza infinita.

— Você não entende... — sua voz, entrecortada pelo pranto, mal era um sussurro — ...ele era tudo que eu tinha. Tudo que me restou depois que o mundo me abandonou.

Amélia sentiu o aperto no peito aumentar, a dor daquela mulher refletia a sua própria. A ilusão havia terminado, mas a ferida ainda sangrava, crua e aberta.

— Eu não sei quem te feriu... — respondeu Amélia, com a voz trêmula.

— JUNO! Minerva me levou a Zeuspiteris... eu acreditei que estaria sendo amada... tiraram o meu único filho de mim e me transformaram nisso, me selando aqui desde então!  

Amélia ficou ali, sozinha, o silêncio. Seu olhar se perdeu no escuro daquele local, a dor ainda pulsando forte, mas uma nova determinação começava a surgir.

E, acima de tudo, precisava proteger aqueles que amava — mesmo que isso significasse confrontar seus próprios demônios.

Ela se ergueu e passou por Elizabeth, retirou a pedra de Ceres e no local... adicionou a de Deméter, criando um enorme pulso de poder que se espalhou por toda aquela gigantesca ilha.
O grupo comemorou a vitória grega... e Deméter surgiu ali, com um vislumbre e cheiro de primavera, mas não teve a atenção de Amélia que estendia a mão para a a amaldiçoada e disse:


— Venha conosco, tem alguém na cidade de Zeus que quer vê-la. 

Parte 5

Deméter havia prometido conceder um desejo para o grupo.
Amélia e Elise tomaram a frente. Amélia pediu para que Deméter lhes desse a chance de Elizabeth encontrar seu filho mais uma vez. Talvez por ser a única mortal presente que sabia o que era amar um filho, não conseguiria conviver consigo mesma se não ajudasse a realizar o desejo daquela mulher amaldiçoada. Elise concordou prontamente e o restante do grupo em uma decisão única, deram seu pedido à deusa. Esta não escondia seu orgulho pelo pedido das mulheres, pois seus corações eram puros. Um leve vendaval de folhas, com cheiro de menta, se formou ao redor do grupo e da mulher, levando-os de volta para a cidade de Zeus.

A deusa exigiu imediatamente a presença de Raggio, concedendo-lhe liberdade para que Elizabeth pudesse encontrar seu filho. Uma multidão se formava, curiosos de todas as partes estavam ali para ver o que ou quem era aquela criatura. 
Elizabeth sentia-se recuada, afinal... tinha medo de fazer quaisquer gesto errado que pudessem dar a entender ações erradas da mesma e se tornasse um alvo aos despertos ali presentes.

Raggio chegou...
Empurrando outros pela multidão, procurava por Amélia e ao centro dela e com Kaiser aos braços, "o do raio" viu o grupo acompanhado por Deméter e uma criatura. Amélia se aproximou e pegou Kaiser dos braços do pai e comentou ao homem que ele se aproximasse, era alguém que ele conheceu a muito tempo.

Respiração...

Raggio, por sua vez, sentiu o coração acelerar quando viu a figura frágil se aproximar. Seus olhos brilhavam com uma mistura de surpresa, apreensão e uma saudade que nem ele sabia que sentia tão intensamente.

Quando finalmente ficaram frente a frente, um silêncio reverente tomou conta do ambiente. Elizabeth estendeu as mãos trêmulas, quase não acreditando que aquele jovem forte e cheio de vida fosse realmente seu filho.

— Odin... — sua voz saiu em um sussurro rouco, carregado de emoção.

Ela o abraçou, deitando sua cabeça ao peito. 
Raggio estava imóvel, e seus olhos se arregalaram de surpresa... aquelas batidas do coração, ele reconheceu aquelas batidas.

Dizem que os sons da batida do coração de uma mãe são reconhecidas por seus filhos por toda sua vida após ficaram 9 meses em seu ventre... e aquilo finalmente aconteceu com ele.

— Mãe... — sua voz falhou, o peso de todas as palavras não ditas enchendo o ar.

Lágrimas escorreram pelo rosto de Elizabeth, que finalmente pôde abraçar seu filho, segurando-o como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Raggio retribuiu o abraço, sentindo uma mistura avassaladora de amor, dor e alívio.

Por alguns minutos, nada mais existia além daquele abraço. A dor do passado, a distância e as perdas pareciam suspensas, como se o tempo tivesse parado para permitir aquele reencontro.

O grupo de mulheres observando ao longe, trocaram um olhar de cumplicidade e satisfação — sua missão tinha realmente alcançado seu propósito.

2.3 - O rapto da rainha do submundo

Parte 1: O Território de Hades

Poucas semanas se passaram após a recuperação do território de Deméter — a Ilha da Mãe — das garras de Ceres, sua contraparte romana. Em virtude disso, Hades pediu auxílio a Atena para que enviasse alguns de seus mais renomados despertos a fim de recuperar seu território, também tomado por sua contraparte romana, Plutão. O deus ainda não havia recuperado plenamente seus poderes e, além disso, o principal foco da missão era resgatar a deusa Perséfone, rainha do submundo, que havia sido capturada por Plutão para substituir a deusa Proserpina, a qual teria enlouquecido devido ao salto temporal causado pelas ações de Cronos.

Hades não tinha mais nada — nem esposa, nem lar.

Compadecida por seu tio, por incrível que pareça... Atena enviou quatro descendentes — desta vez, todos homens — para a missão de recuperar o submundo e resgatar Perséfone. Eram eles:

- Raggio DeWitt Zeppeli, desperto e filho de Zeupiteris Maximus, O mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Toda via, voltou a viver na Cidade de Zeus após os últimos eventos e o nascimento de seu filho com Amélia Michaels, Kaiser.
- Luxio Ringo, desperto e descendente de Zeus, Mesmo com pouco tempo de atuação, conseguiu agradar diversos deuses, inclusive, o próprio Zeus. Vencedor de uma das modalidades da Olimpíada Divina, atraiu atenção dos deuses com seus feitos.
- Duff Nireth, Filho e desperto de Hades, Ainda apaixonado por Amélia Michaels, foi um dos sobreviventes da missão que levou a vida de Alma Rosa em 1967. Também batalhou contra Raggio Zeppeli em algum momento no passado e ainda nutrindo uma espécie de remorso por Raggio "tomar" sua amada.
- Holt Davis, Filho e desperto de Hefesto, Também sobrevivente dos acontecimentos de 1967. O tempo lhe trouxe mais conhecimento além de evoluir seu poder e domínio em combate. Claro, ainda possui seu grande senso de humor e lealdade, um dos únicos que Raggio ainda considerava um amigo.

Após entregarem os dados da missão, os descendentes saíram da Cidade de Zeus e chegaram a uma caverna — bastante escura, por sinal. A única luz presente vinha da entrada e de... exatos quatro caixões que havia ali? Os despertos se espantaram por um momento, logo sentindo o horrível e fúnebre cheiro da morte.

Thanatos surgiu, com sua meia face esquelética e enormes asas negras. Repetiu os detalhes extras da missão: deveriam atravessar o Submundo e colocar a Joia de Hades no lugar da de Plutão.

Dessa forma, Thanatos concedeu a Joia de Hades a Raggio e uma romã a Luxio — ambos filhos de Zeus carregariam os itens mais importantes da missão. Além disso, o Deus da Morte entregou uma pedra colorida para cada desperto presente. Essas pedras representavam seus pecados em vida e em morte:

-> Raggio: Orgulho
-> James: Ganância
-> Luxio: Ira
-> Duff: Inveja

Thanatos explicou que essas pedras seriam usadas como pagamento para um certo alguém.

Assim, os despertos entraram, cada um, em seu respectivo caixão. Iriam passar por uma experiência de "morte", mas teriam suas vidas resguardadas por seus progenitores e pelo próprio Ceifador. Ao se deitarem nos caixões, sentiram toda a vida esvair-se de seus corpos... estavam morrendo.

A chegada ao Submundo foi rápida.

Parte 2 

Os descendentes se encontravam num lugar extremamente escuro, e o piso estava repleto de água. A única coisa que realmente possuía luz era a própria alma dos despertos, que refletia em cores distintas: Holt tinha uma aura avermelhada; Luxio, uma lilás; a de Duff parecia estar completamente integrada ao ar mórbido do local, sendo totalmente negra; já a de Raggio refletia diversas cores diferentes, resultado da quantidade de bênçãos que recebeu dos deuses por cumprir missões a eles, diretamente em sua alma.

Em pouco tempo, os descendentes notaram uma presença divina que se aproximava sorrateiramente, com um sorriso malicioso — era Mercúrio, o deus romano encarregado de guiar as almas para Caronte. Interessado no acontecido, ele comentou: "Almas novas? Uma de Hades e duas de Zeus? Isso parece interessante." Mercúrio ofereceu uma proposta aos despertos: em troca de algo bastante valioso para eles, ele poderia tornar a viagem até Caronte extremamente segura e rápida; caso contrário, ainda os guiaria, mas sem garantia de que chegariam inteiros.

Os descendentes se viram em um dilema. A única coisa que poderia ser valiosa naquele momento eram as pedras de seus pecados. Raggio tomou a frente e tentou negociar com o malicioso deus romano, mostrando sua Pedra do Orgulho, o que despertou grande interesse em Mercúrio — o desejo era nítido.

Sem muitas opções, os jovens entregaram suas Pedras dos Pecados. Contudo, Raggio, com agilidade e inteligência, conseguiu enganar o romano, trocando habilmente os objetos no bolso e entregando uma pedra clara qualquer a Mercúrio que foi coberta pela sua Alme Larn lhe dando o tom das cores de sua alma.
Raggio trapaceou o Deus da Trapaça.

Cumprindo sua parte no acordo, cantando, o romano abriu uma espécie de atalho para os descendentes, levando-os direto para as águas dos rios Estige e Aqueronte. Porém, não podia ser tão fácil: Mercúrio roubou magicamente os dracmas de todos, que seriam usados para pagar a Caronte pela viagem.

Caronte chegava à margem do rio com seu barco, aparência moribunda e remo em mãos, esticando a mão para receber o pagamento dos jovens. Sem dracmas para pagar, Caronte se preparava para se retirar, mas Duff, filho de Hades, assumiu a frente junto ao barqueiro, declarando-se seu verdadeiro "chefe". O navegante inicialmente estranhou, mas percebeu que aquele era realmente um príncipe ilegítimo do submundo e, com a promessa de que recuperariam o reino do deus grego Hades, permitiu a passagem do grupo pelos rios do Submundo.

Durante o trajeto, todos os despertos, exceto Raggio, se sentiram fracos. Ao chegarem do outro lado, nas portas do Palácio de Plutão, Luxio, a pedido do irmão mais velho, testou seus poderes — nada aconteceu. As pedras dos pecados realmente faziam falta, pois continham grande parte do poder divino que os descendentes herdavam de seus pais.

Sem muito foco, a vários metros à frente, numa colina sombria, diversas almas adentravam um "corredor" dentro de uma caverna, guardada por um enorme cão à direita da entrada: uma criatura com duas cabeças — Ortros. Cerberus não estava presente, afinal sua devoção a Hades jamais o faria servir a sua "versão romana".

Com um plano, Raggio ordenou a Duff que controlasse as almas presentes para que todas iniciassem uma enorme confusão, distraindo o cão guardião. Assim feito, o grupo seguiu adiante, esgueirando-se entre as patas da criatura e almas perdidas pelos corredores da caverna sombria.

Guiados pela prole de Hades, que seguia seus instintos, localizaram facilmente as rotas até… o castelo do deus do submundo, agora chamado Plutão.

Parte 3

Dentro do castelo, a equipe caminhava escondida entre pilares e portas, ainda guiados pela prole do submundo para encontrarem o trono de Hades e trocarem as joias. Mas, não seria tudo tão simples. Uma mulher sorria e se aproximava... Era Eris. Ela via os descendentes e já lançava suas provocações; era nítida uma certa raiva por Raggio, afinal, o garoto, há um bom tempo, havia lançado um raio contra a deusa e chegado a matar algumas de suas proles. Mas... algo estava diferente. Seu rosto, corpo e voz se alteravam e voltavam ao normal em questão de segundos. Era... Discórdia. Eris e Discórdia haviam se unido em uma só novamente... Ercordia Matrona. De início, já preparava sua ameaça, com a intenção de entregar o grupo a Plutão.

Apelando para o lado de "Eris", Raggio se desculpa pelo passado e, deixando seu orgulho de lado, diz que quer tentar ajudar o submundo, por Hades e Perséfone, deuses que a acolheram quando o Olimpo a renegou — algo que realmente tocava o sentimento daquela única divindade. Antes que pudesse responder, porém, foi ameaçada pelo filho de Hades, sendo chamada de traidora. Logo depois, o filho de Hefesto a provoca, dizendo que o fato dela relutar em contar a Plutão seria por... medo de Raggio.

Ercordia, agora totalmente furiosa com aquelas falas e provocações dos dois idiotas que chegaram ali, usa sua verdadeira forma divina. Com suas asas, ela golpeia e arremessa Raggio para longe enquanto avança contra ambos, humilhando o filho do submundo, espancando e quase matando o filho de Hefesto, que só não foi morto graças a um... raio lunar.

O filho de Zeuspiteris revela sua forma divina e, da mão direita, concentra a luz lunar — a luz de Ártemis, uma lasca de poder que a deusa presenteou ao semideus. O raio lunar atinge a deusa nas costas, lançando-a a vários metros para trás e congelando-a completamente. O jovem rapidamente segura Holt, Duff e Luxio, e se retira em alta velocidade dali, voando dentro do castelo à procura da... sala do trono.

No caminho, perguntam para Raggio que forma era aquele que ele usava que havia o feito se comparar ao poder de um deus menor e então o mesmo suspira pedindo para guardarem segredo. Mas, é uma habilidade que ele e Amélia ainda estão dominando com dificuldade após terem enfrentado Atena em 1969, no Vietnã.

Por uma fresta em uma porta gigante, os instintos do filho de Hades apitavam. Os descendentes podiam ver os três juízes do inferno em pé, esperando o julgamento da próxima alma, além de discutirem o motivo de Ortros ter saído de sua posição. Plutão estava sentado em seu trono, apenas observando seus juízes com... Perséfone, engaiolada e praticamente nua, apenas com um manto cobrindo a frente de seu corpo.

Os despertos executavam um novo plano. Luxio e Duff tomavam a frente do grupo, ordenando Holt que ficasse calado, tentando conversar com os juízes do inferno sobre suas vidas e pecados, na intenção de serem bem vistos por eles. Duff era audacioso e se referia diretamente a Plutão, enquanto isso, Raggio, na forma divina, se movia como um raio pelas pilastras, escondendo-se atrás da gaiola de Perséfone e tentando conversar com ela sobre onde estaria a chave.

A conversa poderia ter sido mais útil se Plutão não houvesse se zangado com as falas dos demais despertos, principalmente com a insolência do filho de Hades tentando dialogar com ele ou... com Holt, que mais uma vez ajudava a irritar o deus. Irritado, Plutão ordena aos juízes que Holt, Duff e Luxio sejam lançados ao Tártaro.

Mas, nesse exato momento, Ercordia Matrona chega sobrevoando a sala. Suas roupas estavam rasgadas, mas seu corpo, curado. A deusa gritava que os despertos estavam para raptar Perséfone e revela que Raggio poderia acessar a "Theikos Tropos", a forma divina. E assim, aumentando a fúria do deus romano do submundo, que se virava em direção à gaiola de Perséfone, vendo o filho de Zeuspiteris Maximus, Raggio, prestes a tentar salvá-la.

Porém, um estrondo ecoava no local, como um terremoto de passos selvagens — aquela sensação... até mesmo o deus romano se amedrontava por alguns segundos: Era Cerberus, o cão infernal de mais alto nível e lealdade a Hades. O animal invadia o local com os restos mortos de Ortros, seu irmão, na boca. O cão infernal ia em direção a Plutão, esbanjando o sangue de seu irmão por todo o salão.

Os juízes do inferno e Ercordia Matrona desapareciam automaticamente, juntamente com a gaiola de Perséfone. O único que permanecia era Plutão, que começava um embate feroz com Cerberus, causando o desmoronamento do castelo.

Os despertos se reagrupavam rapidamente, mas antes que Raggio pudesse trocar as joias, três portas apareciam à frente deles: uma vermelha, outra laranja e uma amarela. Eles precisavam escolher rápido qual entrariam antes que os destroços do castelo os soterrassem.

Num impulso, todos corriam e adentravam a porta de coloração laranja.

Parte 4

O grupo acabou caindo nos Campos de Asfódelos, uma região intermediária entre o Tártaro e os Elísios. Ali residiam almas que não foram nem boas, nem más. Havia água por quase todo o solo, juntamente de cadáveres que se arrastavam em busca de algo — meras cascas vazias. Até mesmo as árvores eram formadas por corpos e almas que se agarravam a tudo que passasse.

Os despertos analisavam o local com cautela, mas uma fina cortina de Névoa cobriu Raggio completamente, e ele foi automaticamente transportado para outra parte dos Campos, deixando Holt e Duff, junto de Luxio, sozinhos no ponto anterior. O restante do grupo se perguntava o que poderia ter acontecido com Raggio — mas não podiam parar.

Em uma breve observação, notaram um bando de guerreiros mortos-vivos ao lado de um Mega imponente, aparentemente em busca — ou caça — de algo. Com um plano rápido, Luxio ergueu seus companheiros e começou a voar pelo céu escuro, evitando pisar na água traiçoeira e chamando menos atenção dos guerreiros. Uma jogada inteligente, enquanto buscavam direção e propósito.

Enquanto isso, Raggio caminhava sozinho, sem rumo, até ver uma árvore surgir da névoa a poucos metros de distância. Uma criança sombria o acompanhava — parecia uma alma — que, ao se aproximar do mesmo, começou a chamá-lo insistentemente de "pai". Raggio sabia que aquilo não era comum, muito menos seguro. Sentia uma aura pesada e sombria exalando do ser.

A criança, percebendo que Raggio tentava acalmá-la, materializou uma foice envolta em chamas negras e golpeou seu estômago, tentando perfurá-lo e queimar seu interior. Mas falhou. O desperto revidou com um soco destrutivo no rosto da criança, que, ao atingir o solo, abriu uma leve cratera com o impacto, desmaiando-a instantaneamente.

A sensação de morte se intensificava. Um romano surgiu — Leto, o Deus da Morte — zombando de Raggio e relembrando seu passado. Eles já haviam se encontrado na primeira missão do desperto, quando Raggio, ainda fraco e "indefeso", se sacrificou para tentar conter o deus, que admirou o ato, mas zombou de sua ineficácia ao cuspir em seu rosto. Agora, os tempos eram outros.

Mas agora, Raggio sorri... e com lagrimas no rosto estalou o punho direito:

— Finalmente vou vingar a Alma Rosa. 

Os dois iniciaram um combate veloz, com foices e relâmpagos cruzando os Campos de Asfódelos. Leto, que estava sendo ferozmente espancado e pressionado então recebeu ajuda: um raio amarelado caiu dos céus, liberando uma sensação avassaladora de poder. Raggio desviou o olhar e viu seu irmão — um filho de Zeus morto no passado — Arthur Pendragon, de Camelot, que em tempos passados havia o treinado como uma manifestação espiritual. 

Mas o olhar de Arthur agora era vazio, como o de uma marionete. Sob controle de Leto, ele assumia uma forma divina! Iniciava-se, então, o confronto: Leto e Arthur, em suas formas divinas, contra Raggio também em sua forma divina.

Enquanto isso, o grupo de despertos continuava voando pelos Campos de Asfódelos, procurando uma saída ou qualquer pista de Perséfone. Porém, o tempo no local pesava sobre suas almas. As memórias começavam a falhar, e um sentimento esmagador de tristeza os tomava. Desorientados, acabaram caindo em uma floresta.

No solo, uma fragrância doce invadia seus sentidos. Uma paz absurda, quase hipnótica, brotava em meio ao desespero. Eles se sentiram compelidos a seguir o aroma, até encontrarem uma bela mulher dançando sozinha entre árvores mortas. Onde dançava, a grama se tornava mais verde. Estavam encantados.

A primeira reação foi de Duff, que tentou dançar com a mulher, chamando-a de "Amélia", completamente envolvido pela aura que ela exalava. A bela moça, porém, corrigiu-o: era Perséfone — ou... Proserpina? A Deusa se irritou, ameaçando atacá-los. Mas, ao ver a Romã — a fruta que a tornara Rainha do Submundo — um choque de realidade a atingiu. Lembrou-se de quem era, de seu marido, de seu lar. Perséfone estava de volta.

Tomada por determinação, usou as sombras para transportar o grupo até Raggio, que ainda enfrentava Leto e Arthur. Em um golpe de fúria, ela lançou uma explosão de sombras, atordoando os inimigos e ganhando tempo para, em seguida, transportar todos até o Palácio de Hades — ou Plutão.

Ao chegarem, viram o local em ruínas. Plutão, ferido, ao notar a presença dos despertos, lançou o corpo do cão contra o grupo. Mas Raggio, com a força que já havia usado para erguer o mundo no lugar de Atlas, segurou Cérbero com uma só mão, deitando a criatura diante da equipe. Sorriu e agradeceu ao animal, dizendo que agora ele podia descansar.

Um exército de guerreiros mortos-vivos e dezenas de Megas surgiram ao redor, invocados por Plutão, que avançou furioso. Perséfone tentou detê-lo, mas foi brutalmente arremessada com um único movimento. Luxio agiu rápido, controlando os ventos para trazê-la de volta ao grupo antes que se ferisse seriamente.

Duff tentava impor sua vontade às almas moribundas, enquanto Holt lançava bombas por todo o campo, lançando os mortos aos céus. E entre eles, um raio cortou o ar: era Raggio, exausto, ferido, mas segurando a joia de Hades em sua mão direita. Seus cabelos e olhos alternavam entre o divino e o humano.

Quando Plutão se preparava para impedi-lo, Raggio havia chegado a joia e plutão e com um chute e, sorrindo ironicamente, adicionou a joia de Hades no lugar. A joia se encaixou em sua posição de direito. O jovem, sem forças, retornou à forma normal e caiu de costas diante do trono, abrindo uma cratera ao seu redor.

Uma massa de energia escura se espalhou pelo Submundo. Ao tocar Plutão, ele caiu de joelhos, diminuindo visivelmente de tamanho. A única reação foi olhar para a porta do Palácio, que se abria... para Hades, acompanhado de seus generais Phobos e Deimos, com Éris, agora separada de sua contra parte, em sua sombra.

A aura insana do temor fez Plutão tremer — de raiva e ódio. Phobos e Deimos o contiveram enquanto Perséfone sorria ao ver o marido. Hades agradeceu e reconheceu Duff como seu filho. O deus caminhou até o trono, voltando a exibir sua forma gigantesca, e sentou-se. Enquanto Plutão fora expulso para o seu próprio território, a outra metade do submundo.

Ele então olhou para Raggio — que, anos atrás, o julgou fraco — e sorriu. Estava enganado. Estendeu o dedo até o peito do jovem, e dele, chamas do Submundo perfuraram seu tórax, deixando a marca de Hades e uma nova lasca de poder.

Logo depois, o grupo foi transportado de volta à Cidade de Zeus. Missão cumprida. O território do Submundo que era de Hades voltava a pertencer aos gregos.

2.4 - O reino perdido dos mares

Parte 1: O território de Poseidon

Os descendentes são convocados por Athenerva no estábulo da Cidade de Zeus, chamados para uma missão de auxílio a Poseidon, o Deus dos Mares. Raggio era filho de Zeuspiteris, enquanto Elise era filha de Júpiter, e junto a eles, Nico, também um filho de Poseidon, foi designado para a missão. Todos foram enviados a uma praia onde, à primeira vista, não havia nada além de areia, rochas e mar.

Ainda no local, foram surpreendidos por Poseidon, que surgia por meio de um clone feito de água, explicando a situação ao grupo. Ele entrega a eles colares com pérolas e uma joia (diretamente a Raggio), itens que mais tarde revelariam seu verdadeiro propósito. Por fim, o deus apresenta o transporte que usariam — sem, no entanto, revelar quem seriam os navegadores.

- Nico Diavolo, filho e Desperto de Poseidon, Um semideus tímido e simpático, de coração bom e gentil. Tinha para si que era filho de Poseidon, e por isso entrou na missão. O mesmo pertencia as Ilhas de Poseidon antes de ir para a cidade de Zeus.
- Raggio DeWitt Zepelli, filho e Desperto de Zeuspiteris Maximus, O mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Toda via, voltou a viver na Cidade de Zeus após os últimos eventos e o nascimento de seu filho com Amélia Michaels, Kaiser.
- Elise Schmidt, filha e Desperta de Jupiter, De bom coração, postura séria e algumas vezes arrogante. Discordando dos atos dos romanos aliou-se aos gregos assim como outros romanos que perceberam que as ações de suas divindades não estavam corretas. Possui um poder latente e um grande domínio de raios. É extremamente protegida por Raggio, que não quer que aconteça com ela o que aconteceu com seus outros irmãos.

Ainda no local, foram surpreendidos por Poseidon, que surgia por meio de um clone feito de água, explicando a situação ao grupo. Ele lhes entrega colares com pérolas e uma joia de território (diretamente a Raggio), itens que mais tarde revelariam seu verdadeiro propósito. Por fim, o deus apresenta o transporte que usariam — sem, no entanto, revelar quem seriam os navegadores.

Eles sobem ao navio, mas a carona era uma surpresa: uma equipe de cinco mega tubarões piratas — seres extremamente desagradáveis e de hábitos mórbidos — acompanhados por oito tubarões pescadores, acorrentados como seus escravos. A recepção era o que se esperava: claramente falsa e carregada de segundas intenções em relação aos despertos. Propuseram um momento de descanso, e o grupo seguiu para seus quartos, separados... de forma estratégica.

A dúvida viva em seus corações os impediu de dormir — e isso, mais tarde, revelaria ser sua salvação. As verdadeiras intenções dos mega tubarões piratas se confirmaram em um ataque traiçoeiro: uma tentativa de afogamento contra Raggio e Elise, e uma armadilha de fogo contra Nico Diavolo. Estavam alertas, então conseguiram escapar das prisões, mas do lado de fora, uma batalha os aguardava.

O confronto direto entre o trio e todos os tubarões do navio culminou na morte das criaturas e na perda das pernas de Nico, o filho de Poseidon. A partir de então, o próprio mar assumiu o papel de navegador do navio.

Enquanto Raggio e Nico descansavam, Elise decidiu vasculhar a embarcação em busca de respostas. Encontrou pedaços de corpos, órgãos e até cadáveres — inteiros ou quase — mas algo em meio ao macabro chamou sua atenção: um caderno repleto de anotações e desenhos. Falava sobre... sereias.

Ao descobrir isso, ela retornou ao encontro dos outros dois e compartilhou as informações. Juntos, começaram a pensar em como poderiam fugir do destino que se anunciava.

Parte 2

A maré estava agitada no rumo que seguiam. Não sabiam o percurso, o que tornava tudo ainda mais perigoso. A surpresa do grupo vem quando se deparam com uma ilha ao longe — seria aquele o destino? O barco para. No mesmo instante, ouvem o som de latidos, seguido de uma voz que ordena aos homens do navio que se lancem ao mar. Eles são forçados a obedecer.

O mais velho entre os despertos, seduzido por aquela voz, caminha lentamente até o convés. O filho de Poseidon, debilitado, se arrasta até ele. Sobra para Elise agir.

Com pensamentos rápidos, ela manipula o ar ao seu redor, criando uma prisão que envolve todos os presentes, junto a um bloqueio de som unilateral — o que vinha de fora não podia ser ouvido, a menos que ela permitisse. Estavam seguros por ora, mas ainda não sabiam contra o que lutavam.

Então, a ilha diante deles começa a se mover. Assume uma forma viva — a parte superior de uma mulher, mas composta por horrores: serpentes gigantes e cães monstruosos que uivam e rosnam em sua volta. A criatura os silencia com um gesto, desejando ouvir o que Elise tinha a dizer.

A mulher fala. Sua resposta agrada. Convencida de que os três não tinham intenções malignas e que carregavam bons corações, a entidade decide ajudá-los. Ela abre um portal — um redemoinho de energia aquática — direto para algum lugar que não revela. Seria confiável? Eles esperavam que sim. E, de toda forma, não havia muitas alternativas.

Elise carrega Nico nos braços. Raggio, antes de saltar, passa a liderança para sua irmã. Em seguida, mergulha no portal.

Ao atravessarem, percebem que foram parar no fundo do mar. Um ambiente escuro, gélido — letal para humanos comuns. Mas seus corpos começam a sofrer mutações. Eles se adaptam.

A nova forma marinha os transforma: Elise ganha uma cauda semelhante à de uma sereia, enquanto Raggio e Nico desenvolvem barbatanas, escamas e brânquias. Já podiam respirar e enxergar, e a visão ao redor era deslumbrante: estavam em Atlantis.

Logo na entrada, são interceptados por uma figura inesperada. Uma garota de beleza etérea, com uma cauda reluzente — assim como a de Elise. Ela os chama com urgência, pedindo que a sigam.

Há relutância, compreensível após tantos perigos recentes, mas acabam convencidos. Guiados pela misteriosa figura, seguem rumo a um novo destino nas profundezas.

Parte 3

Guiados pela Nereide — pois era isso que a jovem de cauda cintilante realmente era — o trio seguiu por um caminho misterioso, cercado por recifes antigos e pilares cobertos por corais. O destino parecia abandonado, mas carregava um peso histórico palpável. Diante deles, erguia-se uma estrutura colossal, semelhante a um Coliseu submerso. Dentro dele, construções antigas se espalhavam, intercaladas por estátuas de figuras imponentes — heróis, reis e entidades que marcaram a história das profundezas.

O filho de Poseidon, reconheceu de imediato o lugar, como se o conhecesse desde sempre. Os outros dois também sentiam algo familiar, como se pedaços da memória os chamassem daquele chão ancestral.

A Nereide, então, se afastou do grupo, indo ao encontro de outras garotas que se revelaram suas irmãs. No mesmo instante, a água começou a ser drenada misticamente do Coliseu. Os que não possuíam uma forma aquática real retornaram às suas aparências humanas. No centro da arena, uma aura serena e poderosa se manifestou — divina, antiga e calma. Dela emergiu Nereu, um dos mais antigos deuses do mar, com aparência idosa, mas de olhar profundo e sabedoria imensurável.

Nereu aproximou-se lentamente e, com voz suave e firme, interrogou os semideuses. Queria saber por que estavam ali, o que sabiam sobre aquele lugar. Questionou seu conhecimento, sua história, sua missão.

Eles responderam, deduzindo com convicção que estavam em Atlantis. A resposta agradou, embora não o suficiente para satisfazer completamente o deus marinho.

Ele então falou: aquele era o lar dos heróis perdidos, dos reis esquecidos, a verdadeira Atlantis — não um mito, mas uma cidade viva, escondida de olhos humanos. O destino do grupo ali, segundo ele, ainda seria revelado.

Chamou então por uma de suas filhas — a mesma que guiara os três até ali. A Nereide hesitou, recuou. Havia medo em seus olhos. Mas ao olhar para o pai, percebeu que não havia escolha. Com um aceno de despedida, Nereu pediu ao trio que cuidasse dela.

Um novo portal foi aberto. Sem tempo para hesitação, eles o atravessaram.

Ao cruzarem o limiar, seus corpos voltaram a sofrer transformações. Escamas, barbatanas e caudas retornaram. Estavam de novo sob as águas — dentro da própria Atlantis.

O interior era ainda mais deslumbrante. Luzes pulsavam pelas construções feitas de cristal coralino. A arquitetura era fluida e complexa, com tecnologia que superava qualquer coisa já criada pelos humanos. Era evidente o porquê de Poseidon ter escondido aquele lugar: um refúgio de paz, de ordem, onde seres aquáticos e outras raças conviviam em harmonia — ao menos, em aparência.

A Nereide os guiava pelas ruas, mas seu semblante permanecia tenso. Algo a perturbava. Ainda assim, avançavam rumo ao que parecia ser o castelo real, o centro do poder de Atlantis.

No caminho, presenciaram uma cena inquietante: um morador tentava atravessar uma passagem, mas era impedido por duas criaturas intimidadoras, conhecidas como Telquines — seres com feições caninas e corpo escuro como a lava, guardiões impiedosos.

O grupo hesitou. Deveriam interferir?

Mas o coração de Nico e Elise falou mais alto. E Raggio, mesmo ferido, decidiu agir.

Utilizou suas habilidades para se comunicar com os peixes ao redor. Com eles, descobriu a verdade: o morador era um fugitivo, acusado injustamente. Decidido a ajudá-lo, convocou dois cardumes próximos, ordenando que o cercassem e criassem uma distração — uma nuvem viva de escamas prateadas.

O plano deu certo. O fugitivo escapou, e o grupo aproveitou a confusão para seguir em frente sem chamar atenção. Já próximos do castelo, evitaram a entrada principal, vigiada por dois imensos Mega Telquines, desviando por uma rota lateral.

Ali, mais perto que nunca do coração de Atlantis, o destino finalmente começava a se revelar.

Parte 4

Depois que desviam da entrada, são levados pela Nereide até um outro lugar, por onde deveriam passar para conseguir entrar no castelo. Era uma janela, e ela dava diretamente à sala do trono. O trono estava vazio — afinal de contas, Netuno não estava no castelo. Mas não era como se a sala também estivesse vazia. Dentro dela havia diversas sombras, que se movimentavam de maneira duvidosa, de um lado para o outro. Isso faz a guia do grupo recuar. Depois de explicar o que precisariam fazer, ela queria partir, e até chega a se afastar.

Entretanto, é cativada pelos despertos, com seus discursos, fazendo com que fique. Ela opta por avançar primeiro e, para sua surpresa, as sombras que residiam na sala já haviam desaparecido. Sabia que era momentâneo, mas aproveita e diz para todos a seguirem. O fazem, e num nado rápido pelos corredores, chegam ao salão principal.

No lugar, havia diversas estátuas, com a maior delas se destacando pela sua grandiosidade e pela aura que emanava. A aura saía de uma espécie de joia, acoplada na coroa da estátua. Não restavam dúvidas: era a estátua de Poseidon. A sereia, encantada pelo brilho que a estátua possuía, avança de forma impensada na direção e, quando próxima, algo acontece. Círculos surgem em volta da obra, e desses círculos, correntes sobem e agarram a garota, puxando-a ao chão. Estava paralisada.

A energia calma do lugar é corrompida, e, nesse momento, as reais oponentes surgem: quatro sereias menores e uma maior, todas encobertas por uma aura obscura. Nico, inexperiente e frágil, ainda que confiante até então, sente seu corpo ser tomado pelo medo. Elise e Raggio, no entanto, não se intimidam. Tomam a frente e investem contra as criaturas.

Com sua força, o mais velho dos descendentes a sereia maior, e de maneira eficaz e rápida, a caçula — tão eficaz e rápida quanto ele — envolve as cabeças das sereias com esferas de ar, uma estratégia que já era quase uma marca registrada para ela, também derrubando as quatro menores ao chão.

O herdeiro de Poseidon vai ao encontro da Nereide, auxiliando na sua recuperação com uma habilidade de cura. No meio tempo, o desperto mais forte sobe até a coroa, trocando a joia pela que foi entregue no início da missão. Nesse momento, a aura produzida é substituída, e eles finalizam a missão com êxito, recuperando o território de Poseidon.

O Deus dos Mares Grego então surge das profundezas marinhas, montado em seu Kraken, surpreendendo a todos. Desce da montaria e vai em direção ao grupo, um tanto animado, apenas ficando infeliz por suas amadas criaturas marinhas terem de ser mortas para que a missão fosse completa. Ele releva, e entrega ao seu filho uma arma, reconhecendo-o como sua verdadeira cria. Também permite, tanto a ele quanto a Elise, ficarem com as pérolas. Para Raggio, dá uma lasca de poder, conhecida como "Alma do Mar".

Não prolonga tanto a conversa, permitindo a passagem dos descendentes pelo portal, que os levaria de volta à Cidade de Zeus.

2.5 - A Queda do Olimpo - The Fall of Olympus

Parte 1: O território de Zeus

Não muito depois que os despertos retornam à Cidade de Zeus, a guerra ascende — e, dessa vez, estava em sua fase final. No mundo todo, e em todos os reinos regidos pelos deuses, havia conflito: na ilha de Deméter, em Atlantis, no submundo, e até no Olimpo. O conflito podia ser sentido também no mundo terreno, com desastres naturais como terremotos, tempestades e tsunamis.

Na Cidade de Zeus, um ataque romano direto ocorre — e bem no meio de uma festa. Bolas de fogo cortam os céus na direção da barreira e, ao atingirem, a destroem. Centenas de flechas vêm depois, cobertas de chamas, e atingem os desavisados, causando um grande número de mortes.

Na entrada, os despertos de Ares e Héracles, encarregados da guarda, entram em confronto com os romanos — despertos de Marte e Hércules — numa disputa brutal de força.

Em todo aquele caos, Raggio e Amélia, que participavam do evento, preocupados com seu filho, avançam de volta a sua casa. Essa atitude é repetida por alguns outros descendentes, que insistiam em proteger suas casas.

Na casa do casal, um Mega Grifo fazia a proteção, tanto em terra quanto no ar, golpeando intrusos e defendendo contra as flechas. O filho de Zeuspiteris e a filha de Afrodite já estavam lá, e com sua cria em mãos, quando ouvem um estrondo: um relâmpago que desce dos céus e atinge a Casa Grande — o lugar onde Athenerva costumava ficar.

Os dois seguem para lá e se encontram com Elise logo na porta da sala da Deusa. Ao abrirem as portas, deparam-se com ninguém menos do que o Deus dos Deuses, sentado em uma cadeira dourada, ferido e enfraquecido, com sua filha ao seu lado.

Zeus encontra Raggio depois de tanto tempo.

Ele fala sobre os ocorridos e sobre sua luta com Júpiter no Olimpo. Diz que ambos estavam enfraquecidos e pede ajuda aos seus filhos e à nora para combaterem. Eles aceitam, e apenas pedem a ele que cuide da criança. O Deus promete que o fará, pegando seu neto nos braços e... fechando seus olhos. Então, o seu "meio pai" lhe entrega um bracelete em agradecimento a sua ação.

Sua amante e mãe de seu filho mais velho, Elizabeth DeWitt, chega à sala e recua na hora de conversar com ele. Os três são informados sobre o caminho que deveriam trilhar em sua missão — e enviados, por meio de portais... para os mundo material, em uma entrada aonde não poderiam ser detectados... nos Estados Unidos!

- Raggio DeWitt Zepelli, filho e Desperto de Zeuspiteris Maximus, o mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Toda via, voltou a viver na Cidade de Zeus após os últimos eventos e o nascimento de seu filho com Amélia Michaels, Kaiser.
- Elise Schmidt, filha e Desperta de Jupiter, de bom coração, postura séria e algumas vezes arrogante. Discordando dos atos dos romanos aliou-se aos gregos assim como outros romanos que perceberam que as ações de suas divindades não estavam corretas. Possui um poder latente e um grande domínio de raios. É extremamente protegida por Raggio, que não quer que aconteça com ela o que aconteceu com seus outros irmãos.
- Amélia Michaels, desperta e filha de Afrodite, ex-desertora da cidade de zeus, participou do combate contra Atena no Vietnã, rank Vanir. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. É mãe de um herdando, Kaiser Zeppeli Michaels, junto com Raggio Zeppeli. Ela estava gravida durante o combate com Athenerva e o colapso temporal.

Parte 2

Atravessando os portais, os despertos são enviados diretamente ao World Trade Center, em Nova York. Haviam sido instruídos a seguir até as torres, onde deveriam acessar uma das entradas terrenas do Olimpo. Caminham pelas ruas até alcançarem aquela colossal construção, que exalava a presença do divino. Não havia como confundir: a entrada era ali, com certeza.

Buscam por sinais de portais, mas nada encontram. Raggio sugere que talvez a entrada tenha sido movida — colocada no topo da torre — e que deveriam subir até lá. Chegam a um consenso e partem para a Torre Norte, por onde decidem subir. São bem recebidos, sem qualquer tentativa de bloqueio, e nenhuma presença monstruosa no local.

Como não podiam subir pelas escadas — e para poupar tempo e não serem detectados com o voo — optam pelo elevador.

Sobem grande parte dos andares a um ritmo lento, até que... Toda a estrutura é abalada. Gritos do lado de fora. Eles não sabem o que houve — não até verem com os próprios olhos. Um avião colide com a torre, carregando não apenas chamas divinas, mas algo mais, como eles viriam a descobrir ainda naquele lugar. A colisão provoca explosão, destruição e caos, ceifando incontáveis vidas — e com o grupo ainda dentro.

O elevador mesmo reforçado, não resiste: para um andar antes do portal. As portas se abrem, e dali, devem seguir pelas escadas.

Os despertos saem do elevador — mas a visão os paralisa. Pessoas gritando, outras desesperadas, encolhidas em cantos, algumas saltando das janelas. Uma cena que marcaria suas memórias para o resto da vida.

Surge um dilema: ajudar ou seguir em frente?

Tomam uma decisão. As garotas decidem continuar subindo. O jovem filho de Zeuspiteris, no entanto, permanece. Seu senso de dever não permite que ignore o sofrimento ao redor.

Elas sobem os degraus em direção ao andar superior. E em resposta à posição tomada por Raggio, os céus enviam auxílio: uma criatura alada, de asas grandiosas e corpo equino. Um Pégaso, a quem Raggio chama de Bala no Alvo. Juntos — com o domínio dos céus do descendente de Zeus e a velocidade da montaria — salvam várias vidas. Não todas. Mas isso não importa. O que importava era seguir em frente, impedir que mais vidas inocentes fossem tiradas.

No andar acima, diante do portal, Elise — a de Jupiter — tenta avançar sem esperar pelo irmão, mas é contida por Amélia. Ambas aguardam. E logo Raggio chega, sorridente. E se reencontram, aliviados por estarem bem.

Mas essa felicidade dura pouco.

Abaixo de seus pés, encontra-se o segundo perigo vindo com o avião: um ciclope primordial — o Mega Ciclope. De seu único olho, dispara uma potente rajada de energia, partindo piso e teto, abrindo um buraco por onde começa a emergir. Com metade do corpo exposto, pronto para atacar novamente, a criatura urra e saliva — sem qualquer sinal de razão.

O combate começa. Os despertos unem forças num combo devastador: ele, com suas chamas divinas solares; ela, empunhando sua lâmina lendária, Vorpal. Derrotam a criatura com relativa facilidade, deixando Elise em posição coadjuvante.

Quando se reagrupam, atravessam o portal juntos — sendo enviados diretamente para um novo destino.

Parte 3

O lugar era mágico. As nuvens pareciam formar o chão, e as construções eram todas de mármore e ouro, semelhantes às arquiteturas gregas antigas. Eles podiam andar por ali sem medo de cair. E era isso que faziam.

No centro de tudo, havia um castelo que se destacava não só pelo tamanho, mas também pelo brilho — muito superior aos edifícios mais simples ao redor. Aquele era o Olimpo, e era para lá que deveriam ir.

A caminhada foi calma, sem perigos, até certo ponto. Não faria sentido que, no céu, não houvesse proteções — ainda mais com a vida e a integridade de um deus em jogo.

Por entre algumas casas, um Mega Minotauro causava destruição. Levava pedras com seus chifres e destruía os alicerces com pisoteios. Ele só parou quando se deparou com os semideuses, servindo como um bloqueio. Parecia furioso.

Estava acompanhado de um gigante que andava mais calmamente — ou melhor, rastejava. Tinha corpo de serpente e uma estatura tão grande quanto, ou maior que, a do Mega Minotauro. Gerião era seu nome.

Um combate estava prestes a se iniciar, mas eles não podiam perder tempo: Júpiter recuperava suas forças pouco a pouco. Então, Amélia assumiu uma postura de fuga, alçando voo com seus sapatos de mensageira e recebendo auxílio de seu amado. As criaturas a ignoraram — seus alvos principais pareciam ser Raggio e Elise.

O confronto começou. A besta do submundo avançou contra Raggio, que retirou sua veste superior e liberou seu espirito animal projetando uma aura física na forma de um grande dragão. Usou essa força para vencer o monstro metade homem, metade touro — finalizando o combate ao usar a própria arma da criatura para decapitá-la.

Sua irmã seguiu seus passos. Também com uma aura — dessa vez, a de um Mega Grifo — ela combateu Gerião, partindo seu corpo ao meio e destruindo o restante com uma velocidade absurda.

Ainda envoltos em poder, mas com suas projeções astrais retornando à forma de tatuagens, os irmãos seguiram caminho, esperando logo reencontrar a filha de Afrodite.

Enquanto tudo isso ocorria, próxima ao castelo, estava ela — a semideusa da beleza e do amor — escondendo-se da vigia e aguardando por seus parceiros. Esgueirava-se entre pilares e rochas, evitando a visão do Golém Olimpiano. Sua estratégia estava funcionando — mas não contava com um imprevisto.

Parada entre pilares e rochas, sentiu seu corpo ser paralisado, enquanto uma energia imponente percorria o lugar. Era inconfundível: uma deusa, e não qualquer uma. Era Juno quem a perseguia.

Foi inesperado e rápido. Ela mal teve tempo de se virar. A magia da deusa a atingiu na forma de lâminas que perfuraram todos os seus pontos vitais — incluindo o coração. Caiu ao chão, enquanto a rainha dos deuses romanos se afastava, dando-lhe as costas. Amélia foi morta, e apenas pôde chorar e rezar para que seu filho e marido ficassem bem sem ela para cuidar deles.

Após o assassinato, Juno foi até a entrada do castelo. O protetor abriu caminho sem que ela precisasse dizer uma palavra. Atrás da porta que ele guardava, havia uma presença desagradável e falha: gregos que se uniam ao exército romano por puro ódio aos seus semelhantes. "Iguais"? Não havia nada igual neles. Castor e Pollux, filhos falhos de Zeus.

A deusa sentia repulsa por eles. Enquanto caminhava, fechou os olhos para não precisar vê-los. Por sorte, eles estavam de saída. Faziam o caminho oposto. Trocaram algumas palavras, mas não prolongaram. Apenas aceitaram a ameaça da senhora, que, ao entrar em "sua casa", fechou as portas.

Tudo isso deu tempo suficiente para que os filhos de Zeus se aproximassem. A visão que tiveram era a mesma de Amélia ao chegar ali. Ainda assim, não recuaram. Estavam em dupla, e eram fortes.

Se só precisavam retirar a estátua viva da frente, fariam isso. Foram até ela, mas algo não estava certo. Onde estavam os gregos que estavam ali? Simples: camuflavam-se nas nuvens, aguardando seus irmãos se aproximarem para então surgirem e os surpreenderem — prontos para lutar.

Empurrando a caçula, Raggio decidiu que enfrentaria o inimigo sozinho. Uma boa decisão. O mais forte do cidade iniciou com sua forma divina. Em contrapartida, os siameses fizeram o mesmo. Isso deveria chocar. E chocou ainda mais quando o mais forte errou um golpe e teve o ataque devolvido.

Sentiu na pele a força dos siameses, mas persistiu. Continuou lutando e, apesar de apanhar, não se deu por vencido.

Durante o combate, Castor lançou provocações — comentou sobre Amélia e o ocorrido. Isso desestabilizou Raggio, que não sabia como reagir. Os dois se aproveitaram dessa fragilidade e o golpearam diretamente, mesmo quando já estava no chão.

Tudo aquilo despertou algo incontrolável: a ira de um homem abalado. Raggio segurou a perna do irmão traidor — que pisava sobre sua nuca — e forçou-se a levantar. Não apenas isso: lançou o corpo dele ao chão. Os céus escureceram, e as nuvens se carregaram. O verdadeiro combate começou — e o resultado não poderia ser outro. Castor e Pollux foram derrotados, quase mortos, sendo salvos apenas por intervenção divina.

Vendo o irmão naquele estado, Elise, que só podia observar, sentiu o peso de ser um fardo e de não poder ajudar. Aproximaram-se e buscaram por Amélia, mas seu corpo não estava em lugar algum.

Então se uniram e se prepararam para remover a única coisa que os impedia de avançar. Elise tomou a frente e disse que agiria sozinha. Seu irmão tentou impedi-la, mas ela estava determinada como nunca.

O ser de mármore agiu ao perceber que tentavam removê-lo, golpeando a filha caçula do deus dos deuses. Mas errou. Milagrosamente, ela conseguiu segurar o punho da criatura — e lançou toda aquela estrutura pesada para longe.

Raggio ficou impressionado, mas não podia se deter ali. E, assim, ambos seguiram em frente.

Parte 4

Dentro do castelo, deparam-se com um lugar incrível. Era cheio de estátuas, e, pelo que sabiam, podiam reconhecer que eram imagens dos deuses. Os olimpianos estavam dispostos aos lados, com a Trindade e a Rainha mais ao centro e, acima de todos, a estátua de Zeus. Aos pés da estátua, havia um enorme trono dourado, e, sentado nele... Júpiter! Inconsciente. Estava se recuperando e, mesmo dormindo, emanava sua grandiosa aura — intensa e densa a ponto de ser vista, sentida e quase tangível.

Não se intimidam. A dupla segue em direção ao trono, mas algo os faz parar. Paralisar. Não era o deus romano, mas algo menos forte e intenso, algo que havia sido ofuscado por sua aura: Juno, a rainha dos deuses romanos. Ela fazia sua segunda aparição, dessa vez usando seus poderes sobre os despertos.

Eles resistem, principalmente o mais velho, Raggio, que se esforça para se manter de pé e libera sua própria aura, bem como uma de suas armas — o escudo Aegis, revelado que Athenerva o entregou para essa missão. Um combate entre eles parecia quase inevitável. A ira do homem fazia o chão tremer e rachar, mas algo mais poderoso acaba por gerar tremores ainda mais chamativos, causando uma distração. 

O chão sob os pés dos dois se abre e, ao caírem em um portal, desaparecem.

Foram parar em uma ilha deserta, com um cenário devastado, cheio de armas espalhadas pelo chão e um solo morto. Quando recuperam suas forças, percebem o que estava por vir: à frente, um exército gigantesco de despertos romanos, imóveis. Não atacavam porque ainda não haviam recebido a ordem para isso.

Esse grupo logo se divide em duas partes, formando um caminho. Por esse caminho, caminham duas figuras. Não, não eram pessoas. Eram imortais! Um deles era conhecido — ou melhor, conhecidos — dos irmãos: Castor e Pollux. Logo atrás, uma figura inesperada, que acabara de sair de um combate com sua contraparte grega: Hércules!

Ele se apresenta de forma intimidadora e provocante, sugerindo demonstrar a força do exército romano, apresentando os mais fortes de seus campos como sendo aqueles dois grupos a seus lados. Ao seu sinal, os guerreiros avançam contra Raggio e Elise. Dividem-se com o intuito de separá-los, esperando que isso fosse o suficiente para derrotar um deles. Elise era considerada mais fraca, então não esperavam muito. O que foi um erro.

Em meio à batalha, a garota desperta um novo poder: a sua Theikos Tropos, a sua forma divina. Seus cabelos e olhos mudam de cor e, com o controle dos ares, com um único golpe, ela derrota todos os seus adversários. Assim que Raggio finaliza os seus oponentes, Hércules retoma seu discurso. Propõe a continuação de tudo aquilo — uma batalha justa.

O exercito romano gritava e balançava suas armas, mas ainda não atacava. Ainda não. Hércules precisava terminar seu discurso antes disso.

Enquanto isso, no Submundo, Afrodite — que sentiu o peso da perda de sua filha — decide agir. Negociar com Hades a vida ceifada de Amélia. Foi uma negociação difícil, mas, ao final, teve sucesso. Sua filha foi revivida e recebeu uma pequena ajuda para a luta: o cinturão de sua mãe.

A deusa do amor abriu um portal que levava ao campo de batalha onde estavam Raggio e Elise. E por ele, Amélia atravessou. Ativou sua forma divina, chegando de surpresa ao local. Houve emoção no reencontro, e as palavras da semideusa soaram confiantes:

— Três contra mais de milhares... e dois? Parece justo.

Enfim, o trio estava completo mais uma vez.
Raggio caminha ate Amélia e segura a sua mão.

O trio fica alinhado e ao mesmo tempo, todos assumem suas forma divinas...
Tentariam até o final.

Parte 5

A força dos três é insuficiente. Após os ataques dos romanos, estavam cansados e feridos. Podiam ser mais poderosos individualmente, mas, em desvantagem numérica, cedo ou tarde, o exército conseguiria derrubar a tríade, que milagrosamente ainda mantinha sua forma divina. O conflito é interrompido, e o exército retoma sua posição inicial, com os combatentes que haviam se distanciado retornando para trás do imortal Hércules e do grego traidor Castor/Pollux.
Raggio sente que aquele seria seu último combate — sua queda, até então, parecia inevitável. Ele encara sua amada Amélia e sorri. Mesmo à beira da morte, estar com ela o fazia feliz.
Nos céus, diversas nuvens se unem, formando uma face gigantesca acima das cabeças de todos. O poder e a forma eram inconfundíveis: era Júpiter, o Deus dos Deuses romanos e trazendo consigo os outros deuses olímpicos, os principais deuses romanos! O motivo de sua aparição era simples — queria conversar com seu filho, o mestiço. Queria saber por que ele insistia em ir contra sua vontade e, ao mesmo tempo, demonstrar sua "benevolência", dizendo que deixaria os gregos viverem em paz, contanto que aceitassem sua submissão.
Lentamente, próximos aos 12 olímpicos vários outros deuses menores e do submundo romanos começavam a surgir no local para acompanhar aquele acontecimento.
Júpiter então dá as costas à arena, acompanhado pelos outros deuses romanos que surgem e o seguem em sua ascensão aos céus, anunciando a queda do Olimpo.

Mas, de repente, algo interrompe sua fala.
Algo tão inesperado que nem mesmo ele poderia prever.

No pulso do filho do verdadeiro rei dos deuses, brilhava um bracelete que emanava uma energia tão intensa e destrutiva que causava uma dor imensa ao seu portador. Era o presente que Zeus lhe havia dado.
Então, usando a mão esquerda, ele retira o artefato e o lança ao chão.

Ainda no chão, ele liberava uma luz dourada e intensa, juntamente com uma grande quantidade de eletricidade, poder e vento. Nos céus, em reação, surgem diversas ondas elétricas, e delas parte um raio puramente azul, que desce e atinge o bracelete, causando uma explosão e levantando poeira, o que cobre a visão dos jovens por alguns segundos. Ao final… revela-se a verdadeira aparência daquela lâmina: a espada The Fall Olympus! A lâmina forjada pelos ciclopes primordiais e usada por Zeus para se tornar o Deus dos Deuses. Sua fama era suficiente para amedrontar até mesmo Júpiter, que engole em seco, ainda em sua forma de nuvem. Desesperado, volta a se pronunciar, e suas palavras soam como estrondos no campo de batalha. Em quatro raios, transporta a si mesmo, os outros onze olímpicos e Plutão para o campo de batalha, parando a uma boa distância — cerca de 40 metros — do trio.

Júpiter, furioso, diz à seu meio filho e aliado grego que sua tentativa de vencer era inútil, já que nem mesmo ele podia empunhar a espada, e oferece a Raggio uma nova chance: a de se juntar aos romanos e viver um reinado.
A resposta… vinha nas ações de seu meio filho, que em silêncio caminhava em direção à espada. Seu corpo estava ferido, sua roupa já havia sido destruída pelos inúmeros golpes que recebera de Hércules, seu coração batia acelerado, sua respiração estava alterada, e seus músculos falhavam a ponto de ser difícil até mesmo manter-se de pé. Mas, apesar de tudo isso, apesar de não ter mais forças para continuar… ele empunha a espada, reunindo toda a sua energia para tentar erguê-la e retirá-la do chão. No momento em que faz isso, todas as suas forças são drenadas. Dos céus, diversos raios surgem — sem que as nuvens sequer precisem escurecer — e atingem seu corpo de forma brutal. Eram raios do próprio raio-mestre. Sua força divina é sugada, e, nesse momento, seus cabelos e olhos retornam ao estado natural: negros e sem brilho. O semideus cai ao chão, tombando ao lado direito da espada.

Vendo isso, Hércules canta vitória e se afasta do exército e de seu pai, indo na direção de Raggio, provocando com suas palavras. No entanto, antes que pudesse passar por eles, seu pai, Júpiter, segura seu ombro, impedindo-o e ordenando que recue — ele e os demais deuses. Algo estava errado, e todos sentiam isso.

Raggio estava caído.
Existe temor aos olhos de Júpiter.
Hércules não entendia aquilo.

Nesse exato instante, Raggio volta a se mover. Ainda no chão, estende a mão direita em direção à espada, tentando agarrar o cabo. Ele a fecha, empunha novamente, e mais uma vez os raios cortam os céus em sua direção, atingindo brutalmente seu corpo, enquanto sua energia é drenada pela arma.

Ele estava sendo destruído.
Seus olhos se abriam e estavam trêmulos... variando das pupilas negras até o grande clarão branco.
Sangue saia de sua boca enquanto seus m´´músculos pareciam se contorcer.

Erguendo-se diante do destino, Raggio encara sua amada uma última vez, declarando em voz firme seus desejos finais. Com os dentes cerrados e o olhar cravado no irmão, ele clama aos céus por auxílio. E então… o milagre acontece.

Seus cabelos e olhos tornam-se novamente brancos como a luz, enquanto uma aura divina envolve seu corpo. As preces foram ouvidas. O desejo, atendido. Lascas de poder divino cintilam ao seu redor, como fragmentos de estrelas, tingindo-o com cores exaltadas em meio ao brilho absoluto do branco. Afrodite. Dionísio. Deméter. Hefesto. Atena. Ares. Hermes. Apolo. Ártemis. Hera. Hades. Poseidon... e Zeus! As forças primordiais respondem.

O objetivo de Athenerva estava sendo cumprido!

Mesmo ferido, com o corpo em agonia e a terra em convulsão sob terremotos incessantes, uma luz colossal irrompe de Raggio até o céu — e então, o tempo parece parar. Os trovões cessam. O mundo prende o fôlego.

Raggio, ferido e exausto, sentiu em suas mãos trêmulas o calor de outras quatro. Espíritos antigos se erguiam ao seu lado como sombras de glória eterna — Joana D'Arc, a mártir ardente; Buda, a serenidade em meio ao caos; Rei Leônidas, a muralha indomável; Rei Arthur, o espadachim da esperança. Eles não estavam apenas ali — eles eram parte dele agora. Sua força, sua herança, sua vontade.
Mas... não apenas eles: Alma Rosa, Mia, Henry... 

Com os olhos em chamas e o coração decidido, ele se vê finalmente digno.

Com um único movimento, como se o mundo se curvasse à sua determinação, ele arrancou do chão a espada ancestral, que brilhou como um sol nascido da terra. Ergueu-a aos céus — e os céus rugiram em resposta.

O tempo parou.

Os trovões ecoaram como tambores de guerra. E no horizonte rasgado por nuvens, os Doze Olimpianos surgiram — Zeus à frente, seus olhos orgulhosos, vendo seu filho realizar o impossível. Um gesto, um último lampejo de poder, e o raio mestre em sua mão explodiu em uma onda titânica de energia.

Dessa onda, incontáveis relâmpagos se desprenderam, caindo como cometas sobre o campo de batalha. Cada explosão se tornava um portal, e deles emergiam os exércitos lendários dos semideuses, despertos e descendentes esquecidos de deuses antigos e menores, de panteões além do Olimpo.

Despertos de Apolo surgiam envoltas em chamas douradas, entoando cânticos de luz que cegavam a escuridão.

As caçadoras de Ártemis surgiam com olhos prateados e passos silenciosos, montadas em lobos lunares.

Os de Hefesto desciam em armaduras titânicas, distribuindo armas forjadas nas chamas do Tártaro.

Os de Hermes corriam como ventos cortantes, entregando instruções e conduzindo os exércitos como generais invisíveis.

Os de Ares e de Héracles explodiam com fúria guerreira, suas armas reverberando em ondas sonoras que estilhaçavam o ar.

Devotas de Hera, cercadas por colunas de luz branca, entoavam bênçãos que fortaleciam a moral de todos ao redor.

Os de Atena montavam grifos e pégasos, portando escudos em forma de olhos que viam o futuro do campo.

E não só eles...

Portais abriam-se em outros tons de luz.

Os De Éolo, dos ventos, rasgavam o céu com tempestades e voavam em rajadas cortantes.

Descendentes de Nêmesis traziam justiça e fúria, punindo inimigos com lâminas de equilíbrio cósmico.

Despertos e seguidores de Hécate, em mantos negros, conjuravam feitiços arcanos, transmutando terreno e invocando horrores etéreos.

Despertos de Tique, Hipnos, Morfeu, e até mesmo deuses esquecidos, respondiam ao chamado da guerra — pois naquele momento, o destino do mundo estava sendo escrito.

Rios surgiam com o levante dos tridentes de Poseidon — e das águas, o colossal Kraken se erguia, rugindo com mil bocas. Do submundo, Cerberus uivava, tres vozes, três almas, três tormentas, trazido pelos filhos de Hades. E do céu...

Uma Fênix flamejante, renascida da união de Raggio, Elise, Luxio e Zeus, abria suas asas sobre todos, pintando o céu com chamas eternas.

E então, Raggio se ergueu sobre uma colina de pedra, sua espada apontada ao infinito, e com um grito capaz de estremecer o Olimpianos e Olimpicos:

"DESPERTOS… AVANÇAR!"

As legiões responderam como uma maré imparável.

A linha de frente irrompeu em velocidade furiosa — Os de Ares e campeões de Héracles tomaram a dianteira, abrindo caminho com pura força bruta. Atrás, Elise e Amélia corriam como flechas vivas contra Castor e Pollux — a dualidade romana — enquanto Raggio encarava o colosso: seu irmão romano, Hércules, o imortal.

As gêmeas romanas foram surpreendidas — Elise as paralisava com um simples olhar carregado de poder ancestral. Amélia, com a precisão de uma deusa guerreira, decapitou ambos em um único golpe, fazendo jus a milênios de honra grega.

Mas Raggio enfrentava um desafio maior.

Hércules avançou primeiro. Os punhos trovejavam com a força de eras, e Raggio — olhos brilhando com sol e lua — rebateu, criando ondas de choque. Chutes o ergueram aos céus, punhos incendiários e explosões lunares iluminavam a luta em pleno ar.

Hércules rugiu — e portais de água o envolveram, curando-lhe as feridas. Mas Raggio, em um último grito de dor e glória, invocou uma explosão elétrica final que atravessou o romano como um cometa de fúria.

O irmão caiu.

Raggio caminhou entre as cinzas da batalha, até o corpo tombado. Segurou o queixo do outrora imbatível e, com a espada reluzente, marcou-lhe o peito com um "X" — um selo eterno, um fim gravado com honra.

Ergueu-se, montado na Fênix primordial, as asas flamejantes dominando o céu, apontando sua lâmina incandescente aos deuses romanos, com uma voz que cortava o silêncio do mundo:

"A GUERRA TERMINA AQUI. O PRÓXIMO RAIO SERÁ NO TRONO DE VOCÊS."

Subindo aos céus, Raggio alcança o panteão romano. Júpiter observava em silêncio. Seus olhos denunciavam arrependimento. Juno o impede, mas Raggio, em raiva contida e com memórias de dor herdada, a derruba com um raio cruel. "Vagabunda," ele murmura, num ato de vingança silenciosa pela dor da mãe e o que a deusa fez a Amélia.
Diante de Júpiter, nada é dito. Nada é feito. Apenas o olhar e o pesar. Zeus se aproxima, levando seu neto aos braços. Pergunta: "Valia a pena?". A resposta, no coração de todos, é não. Mas Júpiter lembra: Zeus também errara.

Raggio observa, escuta. Toca sua espada e uma ideia surge. Zeus compreende. Unidos, poderiam corrigir tudo.
Num aperto de mãos, as duas metades de um todo se fundem.

Zeuspiteris Maximus, o verdadeiro Rei dos Deuses, pai de Raggio Zeppeli, retorna à existência.
Gregos e romanos... deveriam mais uma vez, ser apenas um.

Com um olhar, ele convoca raios que descem como chuvas douradas. Os exércitos são desfeitos, enviados para casa. Os três heróis recebem a bênção final. O novo Rei entrega o neto para Elise, acaricia a cabeça da filha e encara o primogênito com palavras enigmáticas:

"Ainda não acabou."

E então... uma voz.

Poderosa. Suprema.

A voz de Chronos. Um relógio astral aparece nos céus, banhando o mundo em azul, lilás e ouro. Uma explosão. Tudo muda. Todos estão caídos. A voz de Zeuspiteris ressoa:

"Mais uma vez."

A anomalia temporal começa. Almas são fundidas com versões de outros tempos e dimensões. Ninguém entende completamente.

Um ano se passa. As mudanças são irreversíveis.

Gregos e romanos tornam-se um.

O lar dos despertos é agora é uma cidade a base do olimpo, a Cidade de Zeus. O campo se expande. Novas construções surgem. Concorrências continuam, pequenas rixas também, mas todos vivem... Juntos.

E algo maior, mais antigo e mais perigoso... Observa do vazio entre os segundos.

Estavam agora em 2019.
Chronos mais uma vez agiu.
Então, agora parece que está em todo seu potencial.

Fim da Saga


© Copyright 2019. RPG criado em 17/07/2018
Desenvolvido por Webnode
Crie seu site grátis! Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também! Comece agora