CHRONOS

3. - O real motivo

Apesar dos horrores vividos, os despertos — tanto romanos quanto gregos — tentavam, com dificuldade, reconstruir a paz após a fusão das divindades entre si e seus reis em um único ser: Zeuspiteris Maximus, o Verdadeiro Rei dos Deuses. A guerra havia terminado, mas as cicatrizes ainda ardiam. O sangue derramado não secou apenas sobre o campo de batalha, mas também nos laços entre os dois povos. A união era mais um experimento frágil do que uma conquista verdadeira.

Durante séculos, romanos e gregos se enfrentaram como inimigos mortais. Agora, eram forçados a conviver lado a lado — nos mesmos alojamentos, nos mesmos campos de treinamento, sob a mesma bandeira. Não era incomum cruzar olhares com quem havia matado seus irmãos, amigos ou mentores. Era um desafio constante, um teste de tolerância, perdão e humanidade. E embora os deuses estivessem dispostos a colaborar, não compartilhavam da mesma leveza com que seus filhos sonhavam com a paz.

Elizabeth DeWitt assumiu o local de líder da Cidade de Zeus no lugar de Athenerva que, graças as suas ações e seu sacrifício para proteger os moradores da cidade durante o ataque o romano foi perdoada por seu pai e ergue-se novamente ao status de divindade. Agora, com um pensamento diferente e buscando a redenção em uma busca de melhora do mundo por outros meios.
Zeuspiteris então, enviou Quiron para auxiliar no desenvolvimento dos despertos e com a ajuda de Raggio e Amélia ensinar os outros despertos a dominarem a 'Theikos Tropos'.

Com a queda das bestas, o colapso do panteão dividido e a unificação sob um só trono celestial, os deuses assumiram o dever de enfrentar os verdadeiros arquitetos do caos: os Titãs, e entre eles, Chronos — o senhor do tempo, responsável pelas distorções nas linhas temporais que quase destruíram as duas dimensões, a existência e a hiperexistência ao provocar e alarmar ainda mais a guerra entre romanos e gregos.

Nesseidon Rex Abissus (A união de Poseidon e Netuno), em um voto solene, prometeu que os despertos não participariam da guerra contra os Titãs, garantindo que essa responsabilidade caberia aos próprios deuses. Mas Chronos sabia o que muitos deuses insistiam em negar: descendentes divinos também carregavam o potencial de alterar o destino — para o bem ou para o mal.

Entre elas, uma figura ressurgiu com peso ameaçador: Ícarus Zeppeli, o plano inicial de Athenerva: O primeiro filho de Zeuspiteris Maximus, conhecido como 'O Caçador de Deuses'. Antigo príncipe romano, abençoado por todas as divindades romanas na antiguidade por sua lealdade inabalável, Ícarus fora considerado a arma secreta da guerra. No entanto, recusou-se a lutar ao lado do Júpiter. Rejeitou ordens, títulos e glórias — tornando-se uma lenda silenciosa.
Seu poder era tão latente que facilmente era comparado a um Deus Olimpiano, como o próprio Ares e Atena.

 Mas Chronos não deixou esse potencial escapar. Ele manipula as peças desde as sombras.

De alguma forma, o 'Caçador' se revelou ao ser aliado com o Titã, arquitetou o sequestro de seu meio-irmão mais jovem: Raggio Zeppeli. Afinal, a pose da arma lendária o faria ser uma ameaça próxima do que o próprio rei dos deuses era.

Porém... ao mais velho encontrar o mais novo, logo notou que a 'The Fall of Olympus', desapareceu ao fim da guerra. E então, Raggio sequer teve a chance de enfrentar seu irmão em combate, sendo facilmente capturado.

Agora, mesmo com a guerra contra os Titãs fora de alcance, a Cidade de Zeus — recém-fundada como o lar greco-romano da nova era — vê-se forçada a agir rapidamente. Uma ameaça cresce não apenas nos céus e no tempo, mas dentro do próprio sangue dos heróis que um dia foram salvos.

3.2 - O roubo do Raio

Parte 1

A Cidade de Zeus enfrentava um momento crítico. O sequestro de Raggio Zeppeli, mergulhou a região em um clima de tensão e alerta. Mais do que um guerreiro, ele era filho e esperança da atual prefeita, Elizabeth DeWitt — mulher forte, porém devastada pelo desaparecimento do filho.

Movida pelo desespero e responsabilidade, Elizabeth convocou sua assistente — uma descendente de Atena — e ordenou que fossem encontrados os despertos mais poderosos e disponíveis. A missão era clara: formar um grupo de resgate. Os escolhidos receberiam instruções diretamente da prefeita… e testemunhariam o quanto aquele momento a feria.

- Shiroe Nara, desperto e descendente de Minerva, e um alquimista ativo, possui a pele branca, olhos castanhos e o cabelo castanhos claro. Participou de alguns torneios na cidade, sendo o único filho da Deusa a ter o cargo de líder em sua respectiva profissão.
Holt Davis, Filho e desperto de Hefesto, Também sobrevivente dos acontecimentos de 1967. O tempo lhe trouxe mais conhecimento além de evoluir seu poder e domínio em combate. Claro, ainda possui seu grande senso de humor e lealdade, um dos únicos que Raggio ainda considerava um amigo.
- Elise Schmid, desperta e filha de Júpiter, discordando dos atos dos romanos aliou-se aos gregos assim como outros romanos que perceberam que as ações de suas divindades não estavam corretas. Possui um poder latente e um grande domínio de raios. É extremamente protegida por Raggio, que não quer que aconteça com ela o que aconteceu com seus outros irmãos.
- Neel Brace, descendente de Fauno, o mais...preguiçoso e gente boa da cidade. Tem olhos verdes e o cabelo claro, sua pele é levemente bronzeada e possui...lindas pernas de bode. Não se sabe muito sobre ele, mas já participou de eventos da cidade e atualmente tem poucos amigos, estando a procura de um "aliado herói'"

Shiroe foi o primeiro a atender ao chamado de Elizabeth. Logo em seguida, Holt e Elise chegaram — esta última retornando de um longo período fora da cidade. Neel apareceu por fim, calado, acomodando-se discretamente em um canto da sala. A prefeita, visivelmente abalada, lhes passou os detalhes da missão com a voz trêmula, contendo as lágrimas que ameaçavam cair. Em meio ao desespero, suplicou: "Tragam meu filho de volta."

O sequestrador? O Príncipe Romano. Invadiu uma missão e com ela, além de levar Raggio, deixou outros três despertos que foram derrotados mesmo utilizando de suas formas divinas.

Um título que reverberou no silêncio da sala.

A mulher que surgiu era deslumbrante e imponente, de olhos sábios e penetrantes. Sua armadura deixava claro quem era: Athenerva, Deusa da Sabedoria.

Ela não escondia sua preocupação. Sua descendente conduziu Elizabeth para fora da sala, deixando a deusa a sós com os despertos.

Em palavras curtas, diretas, mas carregadas de peso, Athenerva lhes passou o essencial. Não havia tempo para explicações completas — os deuses nunca foram conhecidos pela objetividade.

Usando seus poderes, transportou os despertos diretamente ao local da missão.

Elise prontificou-se sem hesitar — o sequestrador era seu irmão por parte de pai. Shiroe, calmo e resoluto, também confirmou sua participação.

Holt, como era de se esperar, levantou uma questão:

"Quem ousaria ir tão longe a ponto de desafiar os próprios deuses?"

Apesar do questionamento, não recuou.
O grupo estava formado. Mas antes que pudessem sair, uma luz intensa rompeu o teto da sala, descendo como uma lança divina. No centro, ela apareceu.
A floresta em que chegaram era visualmente bela, mas transmitia algo errado. Sua aura não condizia com a aparência.O ar estava impregnado por um odor pútrido, e o silêncio era total — nenhum animal, nenhum vento, nenhum som. Nem mesmo os sentidos aguçados dos despertos conseguiam captar sinais divinos. Era como se estivessem isolados do mundo... totalmente bloqueados.

Agora, sem guia, sem deuses, sem garantias — só restava seguir em frente.

Como sempre.

Parte 2

"Que indesejáveis são os deuses!", profere uma voz monstruosa. A solidão do grupo durou pouco tempo e, agora, sabiam que seu primeiro obstáculo precisava ser enfrentado. A presença maligna se intensificava; aquele ser emanava uma aura furiosa — talvez por não querer ser encontrado. Entre as árvores, algo surgia... crescia pouco a pouco, fazendo tudo tremer, até mesmo o ar. Um barulho aterrorizante ecoou, trazendo certo pânico ao grupo. Acima da criatura, que ainda não era possível identificar, uma luz esverdeada surgia em linhas, formando um símbolo estranho para os semideuses. Um ritual. Não... uma invocação.

Um barulho estridente revelou qual ser estava ali... seu corpo enorme não era segredo: com dez metros, quatro cabeças e uma cauda maior que todas as árvores presentes. De todas as bocas, ecoavam gritos de raiva, intimidando todos. O símbolo anterior estava marcado em seu peito, como uma cicatriz. De uma de suas bocas, a Hidra escarrou ácido no grupo de semideuses, sem um alvo definido — apenas desejando derretê-los.

A reação do grupo foi imediata. Elise, usando aerocinese, forçou a terceira cabeça (da direita para a esquerda) a se mover para o lado esquerdo, acabando por bater inesperadamente em sua igual, a quarta cabeça, que foi totalmente derretida pelo veneno — impossibilitando o crescimento de outra em seu lugar. O corpo da criatura estremeceu, ecoando um som de agonia e raiva.

Holt pensou de forma semelhante à garota, mas usou seu martelo para se defender, lançando a arma contra a Hidra. As duas cabeças do lado direito esquivaram com agilidade, pois sua velocidade era superior à do garoto. Elas avançaram na direção do grupo, disparando cargas de chamas e gelo simultaneamente. Uma névoa se formou, dificultando a visão de todos. Com essa distração, a Hidra lançou mais ácido, que se dividia em gotas e cobria uma grande área.

Neel havia se esquivado anteriormente com a ajuda de seus poderes, mas para Elise e Shiroe o perigo ainda não havia acabado. A cauda da criatura foi lançada num movimento único contra os dois. Holt, de forma astuta, protegeu seu corpo com o traje mecânico que, graças à sua profissão de ferreiro, possuía grande resistência. Correu na direção da Hidra — ou ao menos onde lembrava de tê-la visto — mas as gotas de ácido que atingiram seu rosto causaram queimaduras terríveis, impedindo seu senso de direção e dificultando o acerto com o martelo.

Neel, por outro lado, tentou usar geocinese para controlar pedras e se defender. O ácido, no entanto, atravessava a rocha, criando buracos na cúpula que ele também tentou erguer... o ácido machucou levemente suas pernas — e doía. Elise bloqueou a cauda da criatura ao usar sua força bruta para segurá-la, salvando também Shiroe.

A Hidra teve seus movimentos restringidos pelas pedras, mas elas eram destruídas ao entrarem em contato com seu veneno. Quando parecia estar livre, um grito ecoou pela floresta... parecia o canto de uma sereia! Era Elise. Ao usar a bênção de Poseidon, ela paralisou completamente a criatura. Tirando proveito da situação, a semideusa correu na direção do monstro e acertou seu punho carregado de eletricidade, eletrocutando a criatura instantaneamente. Não havia como sobreviver àquilo... a Hidra fritou internamente com a carga recebida e caiu ao solo... morta.

Mas, assim que venceram o primeiro obstáculo, notaram algo estranho. Shiroe não obteve sucesso ao tentar usar sua telecinese para retirar as árvores do chão, levando-os a acreditar que o local inteiro era enfeitiçado. Tudo era místico e intocável. Por outro lado, a magia do filho de Pã conseguiu, de certa forma, funcionar — talvez pela conexão natural? Muitas perguntas rondavam a mente do grupo.

Após estabelecerem suas prioridades, o grupo se curou e estava pronto para seguir em frente — mas decidiram fazer uma pequena pausa. Não sabiam para onde ir e não queriam arriscar seguir adiante e se perder. Mas... os deuses estavam olhando por eles, assim como Atena dissera anteriormente. A luz do luar iluminou o solo à frente deles e refletiu sobre as plantas, criando uma espécie de rocha brilhante e cristalina. Era a abertura para uma trilha — o caminho que deveriam seguir.

Sem tempo para agradecimentos, seguiram em frente. Neel, apesar de curado, ainda tinha dificuldades para caminhar — suas pernas de bode ainda doíam. Contudo, sabiam que tal veneno não era apenas da Hidra... aqueles símbolos anteriores deviam ter alguma relação com isso. Elise era a mais cansada do grupo, pelo gasto de energia ao usar suas habilidades. Shiroe e Holt seguiam bem.

O caminho foi trilhado por algum tempo até que foram obrigados a parar ao ouvirem uma voz. Um tremor na terra... o ambiente mudava — em algo específico. Os semideuses continuaram no caminho, ignorando os outros dizeres da voz misteriosa. No final da trilha — ou quase — encontraram um desfiladeiro. O tremor anterior fora o aviso: a terra havia sido afastada de forma proposital. Do outro lado, a trilha continuava... mas como iriam atravessar aquela enorme rachadura mágica?

Qualquer coisa que tentasse sobrevoar era sugada — até mesmo o vento... Elise sabia: não poderiam voar por cima.

Parte 3

O grupo tentou, mas suas habilidades eram inúteis contra as árvores. A matéria delas não podia ser modificada — e nenhuma das ideias do grupo surtiu efeito. O tempo que perderam ali traria consequências negativas no futuro.

Uma luz cortou os céus — mescla de azul e roxo, como se tivesse sido santificada por alguma deusa... Atena? Afrodite? Impossível dizer. Mas a presença que se aproximava trazia segurança e uma estranha familiaridade. Era Amélia, filha de Afrodite.

- Amélia Michaels, desperta e filha de Afrodite, ex-desertora da cidade grega, participou do combate contra Atena no Vietnã e da Guerra da Queda do Olimpo, rank Vanir. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. É mãe de um herdando, Kaiser Zeppeli Michaels, junto com Raggio Zeppeli.

 Ao se reunir ao grupo, revelou que havia sido enviada por ordem de Atena, para substituir Elise. A deusa, ao que parece, cometera um erro ao enviar a filha de Jupiter — Elise querendo ou não se deixava levar pela emoção com a preocupação com seu irmão. Mesmo que Amélia seja a companheira dele, sua experiência talvez fosse mais útil no momento.

Amélia, recém-chegada, caminhou até uma das árvores e, com um único movimento preciso, cortou o tronco com seu tridente, derrubando-o para trás. Abrira um caminho seguro até o outro lado do desfiladeiro, sendo seguida por Holt, Neel e Shiroe. Continuaram a jornada pelos cristais da lua, que brilhavam intensamente. A caminhada foi silenciosa, carregada de tensão.

No fim da trilha, um monte de rochas brancas — cuja formação era estranhamente simétrica — chamou a atenção de Amélia. Haviam chegado ao destino, mas algo estava errado.

Um som surgiu, grave e ritmado. Um ronco. Tão forte que fazia a terra tremer.

Foram averiguar — e logo encontraram a origem: um ciclope, enorme, de apenas um olho. Estava deitado de barriga para cima, com a boca aberta e a língua para fora, bloqueando a entrada da caverna. Dormia profundamente, mas sua presença impedia o avanço.

A decisão foi lógica: precisavam eliminá-lo, para evitar problemas futuros.

Amélia tomou a frente, por sua experiência com tal criatura. No entanto, ao se aproximar, uma força mística — a mesma que havia atrapalhado o grupo no início — percebeu suas intenções. Uma marca verde, brilhando no centro da barriga do ciclope, acendeu, e ele foi forçado a despertar.

O monstro abriu seu olho — e a primeira ação foi disparar um raio de energia diretamente contra o grupo. O feixe atingiu o chão à frente, causando uma explosão. Neel e Shiroe não foram atingidos, mas o impacto os empurrou para trás. Holt e Amélia sofreram danos.

Enfurecido, o ciclope levantou-se e posicionou-se diante da caverna, bloqueando completamente a entrada.

Neel, com sua teimosia natural de sátiro, não se abalou. Sacou sua flauta e soprou uma melodia que se espalhou pelo campo de batalha. A criatura foi tomada pela moleza, seu corpo começando a ceder. Um segundo som, harmonioso, ecoou — e juntos formaram algo como uma orquestra. A magia, como sempre, mostrava sua força.

Shiroe, aproveitando o atordoamento, lançou uma lança certeira, ferindo o olho da criatura. Um grito pavoroso ecoou, o ciclope estava em agonia. Desesperado, tentou abanar os braços no ar, afastar os sons, mas era inútil.

As mãos do monstro caíram sobre as rochas, que estilhaçaram-se, sendo lançadas contra o grupo. O ciclope, mesmo ferido, desviou sua atenção para Amélia. Ela jogou seu tridente para Holt, que, tomado pelo medo, não conseguiu pegá-lo.

Foi o suficiente. A criatura lançou outro raio de energia, atingindo Amélia no centro do abdômen. A armadura dela absorveu parte do impacto, evitando ferimentos fatais, mas a jogou contra Neel e Shiroe. A queimadura era severa — porém, a água em seu corpo, como uma bênção divina, formou uma segunda camada protetora, regenerando parte dos danos.

Shiroe se colocou à frente, protegendo Neel dos estilhaços e amparando Amélia. Seu animal espiritual retornou, trazendo o tridente da semideusa. Amélia, com fúria no olhar, avançou.

A criatura, enfraquecida, mal pôde reagir.

Com um único arremesso, o tridente atravessou o olho e o cérebro do ciclope. Lágrimas de sangue escorreram, e o corpo da criatura caiu, provocando um terceiro tremor — agora, final. Estava morto.

Ao olharem para Holt, o encontraram caído. O medo o paralisara tanto que o fizera desmaiar. O sussurro dos deuses era claro: o filho de Hefesto voltaria para casa.

Agora, restavam apenas três.

Parte 4

Posteriormente, surgira e se aproximara de Amélia o deus da guerra e a da sabedoria, que estava em estado crítico. Suportar o poder divino dentro de si — e o de dois deuses ao mesmo tempo — era algo quase impossível. Ela deveria ter desmaiado, e só não o fez por pura determinação. Determinação suficiente para, mesmo sem forças, manter o tridente pressionado contra o estômago de Circe...

Circe, de cabeça baixa e expressão neutra, parecia morta. Os deuses, piedosamente, se colocaram diante das duas, observando principalmente sua "igual", uma deusa caída. A visão era melancólica. Sem hesitar, eles uniram suas armas mais uma vez e aprisionaram a feiticeira, sem esperar por falas ou explicações.

Amélia não escondeu seu descontentamento. Ela ainda não sabia onde Raggio estava — e só não agiu com mais impulso por causa da exaustão. Foi Athenerva quem a acalmou, garantindo que sabia onde ele se encontrava.

Com o desaparecimento da caverna, restava apenas uma última estrutura. Menor, mas ainda imponente, parecia uma versão contida da construção mágica anterior — feita claramente para aprisionar alguém. Em seu estado normal, Amélia talvez não notasse, mas seu corpo ferido e alma cansada obscureciam os sentidos. Os deuses a curaram. A deusa da sabedoria restaurou inclusive sua armadura e sua lâmina.

Revigorada, Amélia partiu com seu grupo e os deuses em direção à construção. A porta tinha dois metros de altura. Lá dentro, a escuridão dominava. Quando a luz natural cessou, O deus da guerra conjurou uma chama... e talvez fosse melhor que não o tivesse feito. À sua frente, o pior cenário possível se revelou:

Raggio estava preso a uma parede de pedra, com vinhas envolvendo seu corpo. Morto. Sem energia. Sem alma. Sem qualquer sinal de vida.

A dupla de deuses lamentaram a perda do meio-irmão. Shiroe, em silêncio, tentou consolar Amélia — mas foi em vão. A semideusa se aproximou do corpo, do túmulo construído pelo inimigo, e socou a parede com os punhos cerrados, num ato desesperado de tentar acordá-lo. Seu desespero era palpável. Neel, sensível às emoções do grupo, sentiu tudo com intensidade — e chorou.

Os deuses decidiram então levá-los de volta à Cidade de Zeus. Amélia não largou o corpo nem por um segundo. E quando chegaram, a multidão que os cercou foi tomada pelo luto. Elizabeth DeWitt encontrou seu filho — aquele que um dia estivera em seus braços — morto.

3.3 - O tempo de Chronos

Parte 1

A tempestade que se espalhou pelo mundo após Zeuspiteris descobrir a morte de seu filho não dava sinais de trégua. Era um fenômeno global — o planeta inteiro estava afogado em chuva, e os mares, em fúria. Mas, naquele dia, a chuva não simbolizava apenas o luto do Rei dos Deuses... marcava também o combate.

Se fomos criados à imagem dos deuses, não é de se estranhar que os humanos tenham tanta convicção de serem o centro do universo — especialmente quando um deles carrega o sangue divino em suas veias. Orgulhosos, fadados à queda, os semideuses se agarram à crença de que são os donos do mundo... mas a verdade é que a história nunca pertenceu a eles. Sempre foi dos deuses.

A verdadeira batalha, a definitiva, já havia começado. Poucos minutos após Martares e Athenerva derrotarem Jápeto e aprisionarem Circe, Zeuspiteris enfrentava Chronos, o temido Saturno, no Jardim do Princípio. Lá se encontrava o pomo dourado, ponto oposto do mundo onde Atlas sustentava o globo com seus ombros.

E falando em mundo... todo ser vivo podia sentir o conflito. Tremores e terremotos sacudiam a terra. Maremotos furiosos engoliam as costas. O tempo parecia retroceder e avançar ao mesmo tempo. Corpos decompostos ganhavam vida em seus túmulos. O sol se movia em velocidade anormal, e a lua o acompanhava. O álcool, em todos os cantos, parecia desaparecer. Tudo estava fora do lugar. Até mesmo os mortais sabiam: algo havia começado. Algo além da compreensão.

A Trindade Olimpiana detinha certa vantagem, com o Raio Mestre, o Tridente de Nesseidon e o Elmo do Terror de Rex Umbrae. Ainda assim, o poder dos Titãs era comparável, devastador. Zeuspiteris estava sem sua espada lendária, The Fall of Olympus. E foi assim que o Rei dos Deuses foi arremessado contra a Árvore do Pomo. Ferido, mas consciente, foi rapidamente socorrido por Junera, sua esposa e Rainha do Olimpo.

Com suas últimas forças, o Deus Supremo pronunciou palavras que selariam o destino da guerra. Junera, em resposta, foi transportada para a Cidade de Zeus. E foi ali que tudo começou.

A missão, para nós — os mortais — começa agora.

Parte 2

- Amélia Michaels, desperta e filha de Afrodite, ex-desertora da cidade grega, participou do combate contra Atena no Vietnã e da Guerra da Queda do Olimpo, rank Vanir. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. É mãe de um herdando, Kaiser Zeppeli Michaels, junto com Raggio Zeppeli.  

Elizabeth não concordou de imediato. Sabia que sua nora não estava emocionalmente preparada para participar de algo... daquela magnitude. Mas Junera a interrompeu, sem qualquer cerimônia. Queria Amélia. E a teria na missão, custasse o que custasse. Com uma fruta mística nas mãos, a deusa se aproximou de Amélia e estendeu-a com autoridade, acompanhando o gesto com ordens diretas. Contudo, não esperava o que viria a seguir: a palma da mão direita de Elizabeth colidiu com seu rosto com tamanha força que a Rainha do Olimpo virou seu rosto. Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente.

Junera, sem reação, manteve-se em silêncio por alguns segundos. E mesmo diante da humilhação, por amor a Zeuspiteris — e por respeito ao luto — conteve-se. Não ousaria tocar nela naquele dia.

Amélia, por sua vez, recebeu uma pena de pavão — símbolo sagrado da deusa — e uma última advertência. Em seguida, partiu. Recebeu todas as informações sobre sua missão e, apesar do desconforto visível de Elizabeth, concordou em participar.

Ao morder a fruta, seu corpo foi envolto em energia. Em um piscar de olhos, encontrava-se no Jardim de Atlas — um lugar que conhecia bem demais.

Estava a poucos metros do titã, mas não hesitou em se aproximar. Havia uma estranha intimidade entre os dois. Atlas, ao reconhecê-la, curvou levemente o pescoço, inclinando a cabeça para que pudesse vê-la com mais clareza. Foi o titã quem iniciou o diálogo, sua voz reverberando como trovões abafados. Queria saber se Amélia compreendia, de fato, os motivos de estar ali.

Enquanto conversavam, um a um, os membros do grupo de Amélia começavam a chegar.

- Nico Diavolo, filho e Desperto de Poseidon, Um semideus tímido e simpático, de coração bom e gentil. Ainda haviam dúvidas sobre a sua paternidade, mas tinha para si que era filho de Poseidon, e por isso entrou na missão. O mesmo pertencia as Ilhas de Poseidon antes de ir para a cidade de Zeus.
- Charlotte I. Charpentier, filha e desperta de Hermes, Astuta, um pouco recuada, irritante quanto da, típica descendente de Hermes, extremamente veloz e facilmente uma das mais rápidas da cidade de Zeus. Ela pertencia ao condado de Hades.
- Axr Go, desperto e descendente de Plutão, Mesmo com pouco tempo de atuação, revelou-se um aliado extremamente útil e confiável a Cidade de Zeus, era um forte candidato a liderança da guilda a qual participava e um poderoso membro do exército romano.

O titã observava os recém-chegados. Era, no mínimo, intrigante a escolha dos despertos e a quem eles eram relacionados: "um de Nesseidon", "um de Rex Umbrae"... e "um de apoio"...

Atlas mantinha-se atento às palavras de Amélia. Ele ouvia com cuidado o pedido da garota, assim como suas dúvidas. O titã lamentava. O castigo imposto por Zeus o havia deixado com pensamentos confusos sobre Chronos... o Primordial seria realmente tão cruel? Ou... poderia ele ser, de fato, uma luz? Uma chance de liberdade?

Amélia não hesitou em responder. Declarou com firmeza que Chronos não faria nada além de prometer — e promessas vazias, ela sabia, não libertam ninguém. Arriscaria-se a pedir a Zeuspiteris para rever a sentença, sim, mas jamais faria alianças com o Tempo.

Nico, que havia chegado pouco antes, interferiu. Suas palavras foram diretas e persuasivas. Pediu ao titã que reconsiderasse sua posição, e, ao final, recebeu um elogio pela coragem e clareza. Mesmo assim, Atlas ainda hesitava.

Foi então que seu olhar recaiu sobre a garota de Afrodite. Havia algo em seu semblante que lhe despertava interesse. Perguntou por seu noivo — o filho de Zeuspiteris. A semideusa, que até então mantinha uma postura rígida, deixou escapar a fragilidade do momento.

Antes que ela respondesse, Axr Go — o desperto de Plutão — interveio. Contou, em tom grave, que o semideus havia morrido. E não poupou críticas a Chronos, destacando o quanto ele era ardiloso, traiçoeiro... e indigno de confiança.

Com o fôlego retomado, Amélia voltou a dialogar com o titã. Nico, por sua vez, também não poupou esforços, tentando tocar qualquer resquício de honra ou humanidade que restasse em Atlas. As promessas foram feitas. As esperanças, lançadas.

E Atlas, enfim, deu seu veredito. Concordou em ajudá-los — mas não por eles. Não por deuses. Nem por promessas.

O faria por Raggio Zeppeli, o semideus morto. Por uma dívida impagável.

Então, moveu o pé direito com um estrondo que reverberou por toda a planície. Ao erguê-lo, revelou uma enorme cratera no chão — e nela, uma escadaria que descia às profundezas.

Com voz grave e firme, advertiu-os:

— Este é o caminho. Mas saibam que apenas um, ou no máximo dois de vocês, retornarão com vida. Todos vocês perderão algo... e o que perderão será irreversível.

No final da escadaria, os aguardavam os aliados de Zeuspiteris — e um selo antigo, poderoso o suficiente para virar a maré da guerra.

Parte 3

Amélia, ainda no meio da escadaria, lançou-se com maestria e velocidade. Sua lâmina, já transformada, cravou-se com precisão na cabeça da Mega Harpia. Mas... a criatura era mais forte. O impacto desequilibrou a semideusa, que caiu, sendo arremessada na direção dos outros — e da Mega Hidra.

Charlotte, com reflexos mais rápidos, conseguiu esquivar-se e permanecer na escadaria. Axr, por outro lado, teve menos sorte. Usou suas habilidades para mitigar os danos, mas foi atingido. O golpe não foi letal, mas o lançou pelo ar. Ao tentar contra-atacar a Hidra, algo inesperado aconteceu: a criatura, com a boca escancarada, devorou uma de suas próprias cabeças. E, assim, mais quatro surgiram em seu lugar.

Nico, que estava próximo de Axr, teve destino semelhante. Não havia onde se esconder. A Hidra, agora com dez cabeças, reagiu de imediato: uma rajada destrutiva de ácido foi lançada em sua direção, atingindo-o em cheio — e também pegando o filho de Poseidon pelas costas. O ácido corroeu parte de sua armadura... e mais que isso. Ele perdeu tudo da cintura para baixo, junto ao joelho direito.

O embate prolongou-se. Assim como Atlas previra, houve perdas — desta vez, físicas. Axr, teve seu braço direito arrancado. Amélia foi engolida por uma das cabeças. O ácido já começava a consumir seu corpo, lentamente. Charlotte teve destino semelhante... mas seu mergulho a levou diretamente ao núcleo da criatura, onde o ácido era mais concentrado.

Enquanto os despertos enfrentavam o terror da Hidra, em outro ponto do mundo uma guerra divina eclodia. Hiperião, titã dos astros e senhor do sol primordial, combatia ferozmente Solumen — o atual deus do Sol. Um único soco do titã explodiu os céus, espalhando ondas de energia que afetaram até mesmo outros deuses.

Apolo estava gravemente ferido. Seu corpo ardia em chamas estelares. Luamen, sua irmã, correu em auxílio, disparando flechas lunares contra Hiperião e forçando o colosso a recuar.

Em outro canto da batalha, Athenerva e Martares combatiam Crios juntos, em um duelo de estratégia e fúria.

Perto da escadaria, onde os semideuses ainda enfrentavam a Mega Hidra, duas figuras encapuzadas surgiram silenciosamente ao lado de Atlas. O titã, imóvel, nada disse — mas sabia. Aqueles dois não estavam ali para lutar. Eles não tinham lados. Eram algo além.

De volta ao campo de batalha, Axr enfim usou o máximo de seus poderes. Criou uma barreira capaz de conter os golpes das cabeças da criatura. Charlotte, decidida a salvar Amélia, usou sua habilidade de clonagem. O clone resgatou a semideusa inconsciente e a levou até a ilha de Demceres, próximo à água.

Enquanto isso, a Charlotte original mergulhava cada vez mais dentro da criatura, buscando o coração da Hidra. Confusa com a batalha interna que acontecia em seu corpo, a besta não percebeu o avanço de Nico, que — já em sua forma divina — desferiu um golpe certeiro nas costas da criatura. A Hidra tombou. Sem coração. Sem vida.

Feridos, mas vivos, os semideuses sabiam: ainda não havia acabado.

Amélia foi trazida de volta para junto de seus companheiros. Nico, mesmo dilacerado, prontificou-se a cuidar da aliada. Usando suas habilidades como enfermeiro, curou suas feridas com dedicação. Como forma de retribuição, Amélia prometeu carregar o irmão em suas costas até o fim, se preciso fosse.

Enquanto os despertos seguiam pela trilha final, o mundo assistia a um embate ancestral. Zeuspiteris, empunhando a Foice do Tempo, confrontava seu pai, Chronos. O Primordial sorria: sabia dos planos do filho. "Enviar despertos para romper o selo?" — zombava. — "Previsível..."

Mas Zeuspiteris não recuava. Também havia enviado algo... ou alguém... para garantir o sucesso da missão.

Os dois encapuzados, que outrora apareceram ao lado de Atlas, desciam agora a cratera. Seus passos eram lentos, como se o tempo estivesse ao seu favor. Em determinado ponto, o mais alto dos dois parou. Com um gesto silencioso, puxou o capuz para trás.

E revelou-se: Icarus Zeppeli, o primeiro filho de Zeuspiteris. O Príncipe Romano.

Parte 4

Com o estrondo do tempo em convulsão, o destino se apresentava sob a forma de um ultimato cruel:

"Com a fúria do Tempo, o selo tem de ser reposto. A quebra da vida dado pelas crias, que se não são seus pais, se entregam à agonia. Repousando as palmas sobre os apoios, a vida se esvai, os três grandes ou as três crias. Três vidas ou todas as vidas."

A voz ecoava não pelos ouvidos, mas dentro da alma de Axr. Era Atlas. Era o fim ou a escolha. A sua vida? Sua alma? Ou o aniquilamento de tudo?

O Mini Hecatônquiro, deformado em sua monstruosidade, agora com quarenta e oito braços e vinte e cinco cabeças flamejantes, libertava-se dos animais espirituais com brutal facilidade. Suas mãos golpeavam como trovões, desferindo sôcos incessantes contra Nico, Amélia e Axr. Seu cheiro era de enxofre, seu olhar um abismo. Cada golpe fazia a terra tremer como se o mundo estivesse se desfazendo em placas.

Charlotte, oculta entre as rochas, segurava o próprio fôlego para não trair sua posição.

Nico, à beira do colapso, tentava invocar os poderes de seu pai, Poseidon, mas suas pernas, destruídas, não obedeciam. Suas águas, embora densas, eram fracas. Amélia, em sua forma divina, empunhava o sua lâmina com uma enorme e desesperada graça, emitindo cortes sonoros que apenas faziam o monstro recuar. Era uma dança entre a esperança e o desespero.

Então, numa sinfonia apocalíptica, das vinte e cinco bocas da criatura, saíram labaredas avassaladoras. O inferno se ergueu no subterrâneo. Um mar de fogo engoliu o teto, as paredes, o chão. A caverna inteira se incendiava em caos.

Amélia, com os olhos reluzentes de fúria e amor, agarrou Charlotte. Preparava-se para salvá-la. Axr, próximo ao selo, já havia feito sua escolha. E, então, Nico...

Nico sorriu para a Amélia e se desvencilhou. Com um grito rouco, lançou-se contra o selo. A dor não era apenas física, mas ancestral. A alma sendo rasgada do corpo. Sua essência se despedia do mundo dos vivos em uma chuva de pó dourado. Amélia chorou, mas não houve tempo.

Axr, também, se dissipava em sombras. Silencioso, honrado, com o peso do mundo nas costas. Sua forma desaparecia como fumaça beijada pelo vento. Dois heróis, duas escolhas, dois sacrifícios.

Mas o destino ainda não havia encerrado sua crueldade.

Amélia, com Charlotte nos braços, estacou ao ver Icarus adentrando o campo de batalha, acompanhado de uma figura encapuzada. O segundo homem revelou o rosto. Era Raggio DeWitt Zepelli. Vivo.

Raggio avançava, pronto para dar sua vida, mas Elise, sua irmã, voou como um relâmpago, desferindo um chute que o derrubou. Ela sorriu com lágrimas e colocou sua mão sobre o selo. Não pediu permissão. Não pediu perdão. Apenas... foi.

Seu corpo desfez-se, partícula por partícula. A herdeira de Júpiter virou luz e foi absorvida pelo véu do tempo.

Então, o mundo estremeceu.

O portal se abriu com uma explosão de energia. Não era grega, romana, nem conhecida. Era algo antigo. Ancestral. Do outro lado, uma figura caminhava com um martelo em punho, cercada de guerreiros dourados com olhos que queimavam como estrelas.

O selo dos mundos havia sido rompido.
Novamente, o mundo greco-romano tinha acesso as mil portas!

Odin, o Pai de Todos, estava ali.

A majestade de sua presença silenciou o ar. Ele caminhava entre os destroços, passando os olhos sobre os sobreviventes. Amélia e Raggio reconheceram-no de uma vida passada, nos anos 60, em Woodstock. "Cosmos Samsara e Sunshine Poesia," ele murmurou com um sorriso nostálgico.

Atrás dele, outro deus surgia. Thor, o deus do trovão, seu filho, sua tempestade encarnada. Com um brado, Thor avançou para o portal, seguido pelos guerreiros nórdicos.

Odin foi o último. Agradeceu aos jovens e os ordenou a voltar para casa. "A batalha agora é dos deuses," disse, antes de atravessar o portal. Este se fechou, como se nunca tivesse existido.

Charlotte, seus ferimentos demasiadamente graves, não resistiu. Seu corpo foi levado de volta à cidade.

Dos despertos que entraram, saíram apenas Amélia e Raggio. O príncipe romano desaparecera sem deixar rastros.

O mundo havia sido salvo, mas o preço pago seria lembrado para sempre.

Três vidas, para todas as vidas.

Fim da Saga

© Copyright 2019. RPG criado em 17/07/2018
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