Guerra do Primordio
1. - A Ira: O Inicio da Guerra
Em 1969, dois anos após o último grande evento envolvendo os deuses gregos e romanos, o Olimpo declarou oficialmente a criação da Ilha de Júpiter, um ato simbólico que selava a 'paz' entre os deuses gregos e suas contrapartes romanas.
Uma tentativa de Zeus e Júpiter — sua outra metade — se aliarem mais uma vez, em uma condição idealizada por Atena e Minerva, que juntas convenceram seus pais a tentar novamente aquele ano. Pedidos e tentativas como essas vinham sendo feitas há anos.
Para celebrar esse marco histórico, Zeus convocou todos os despertos para uma grande comemoração. Os Doze Deuses Olímpicos estavam presentes, assim como os Doze Deuses Olimpianos, acompanhados, em sua maioria, por deuses menores aliados.
Tudo transcorreu em relativa harmonia até o momento do anúncio do novo local designado aos despertos das contrapartes romanas. Foi então que se notou a ausência de Hades, deus do submundo, que optou por não comparecer à cerimônia de assinatura do tratado de paz. Júpiter interpretou essa ausência como um ato de extrema insubordinação. Em resposta, declarou que qualquer um que se opusesse ao acordo deveria estar preparado para enfrentar ele e todo o Olimpo.
Plutão, então, respondeu com uma enorme risada e revelou que sequer queria estar ali, pois sua confiança nos gregos era como uma ilusão em um deserto — ato que ofendeu diretamente Hera e Zeus.
Por fim, o conjunto dessas atitudes resultou na declaração informal de uma 'pré-guerra' entre o Olimpo e o Submundo, despertando a revolta entre os despertos de divindades ctônicas, assim como o aquecimento da rivalidade romana.
Assim, as festividades, que começaram com brilho e grandiosidade, encerraram-se em um clima de tensão e incerteza.
1.2 - Woodstock
Parte 1: Apolo
Um mês após a declaração de "pré-guerra" de Zeus, Apolo, a pedido de seu pai, partiu em busca de informações sobre Hades e o Submundo. Desde o dia da comemoração no Olimpo, esses deuses não haviam mais dado sinais de suas presenças. Apolo conseguiu pistas sobre Circe em uma área da cidade de Bethel, no estado de Nova York, Estados Unidos. As informações revelaram não apenas a presença recorrente da deusa no local, mas também que ela estava acompanhada de Píton, a serpente gigante original.
Para disfarçar sua busca, o deus, com ajuda terrena de seus despertos e descendentes criou o o festival de Woodstock — que, quando realizado, reuniu pessoas de todo o país no local. Apolo solicitou à Cidade de Zeus a permissão para levar quatro moradores da cidade como apoio em sua missão, além de sua filha, que já estava na região com um objetivo extra ainda oculto.
Apolo não poderia permanecer no local, já que sua aura divina superior seria facilmente identificada por Circe.
Foram permitidos:
- Henry Gallager, um desperto sem reconhecimento claro. Apesar de Arlone, o prefeito da Cidade de Zeus, possuir informações sobre ele, optou por manter essa condição em silêncio por algum tempo. Ou seja, pouco se sabe sobre Henry, e menos ainda sobre quem poderia ser seu progenitor. Cabelos castanho-escuros, olhos da mesma cor, pele branca. Usa uma espada comum.
- Damian Strong, desperto de Hécate. Não há informações exatas sobre sua linhagem direta com a deusa. É o segundo desperto mais poderoso, porém o mais forte ainda vivo na Cidade de Zeus. Possui um certo rancor dos despertos olimpianos e dos próprios deuses olímpicos — sentimento intensificado após a festa organizada por Zeus e suas declarações no evento. Cabelos castanho-escuros, olhos castanhos, pele branca. Usa um grimório e uma varinha.
- Tom Trustean, filho e desperto de Morfeu, conhecido por dormir excessivamente. Cabelos castanho-claros, olhos da mesma cor, pele branca. É um grande amigo e aliado de Damian Strong, que juntos a Viktor Makiavel fazem parte da guilda: "Night Nyx".
- Viktor Makiavel, tataraneto e desperto de Éolo. Luta exclusivamente com arco e flecha, manipulando as flechas o seu ar. É astuto, sagaz e ao mesmo tempo parece ter uma preferencia ao Submundo que ao Olimpo.
- Liang Quan, Herdanda de Apolo e Cyamites, atua como enfermeira da Cidade de Zeus. Após os eventos de 1967, continua tentando manter o sorriso no rosto, demonstrando força e determinação por lealdade à "Rosa de Atena". Foi a primeira a ir atrás da dupla que fugiu da Cidade há dois anos. Foi convocada para a missão devido a sua relação sanguínea com o deus e ao mesmo tempo, por sua experiência em combate e missões que serviria pra auxiliar o grupo, que era formado pela única guilda disponível no momento e um guardião novato.
Apolo levou guiou o grupo em uma "nuvem solar" em direção ao evento.
Mas desde cedo... já estavam na armadilha. Circe havia percebido tudo desde o início e ordenou que um grupo de harpias atacasse a nuvem dourada. Os despertos lutavam contra as criaturas enquanto Apolo facilmente ajudou a eliminar as criaturas, mas em uma distração... Píton. Uma cobra divina gigantesca surgiu extremamente mais forte do que o normal.
Antes de ser consumido pelo ser, Apolo lançou uma imagem nas mentes dos despertos e ordenou que encontrassem a garota nela retratada.
Damian a reconheceu, chamando-a de Amélia Michels, filha de Afrodite e uma antiga domadora da Cidade de Zeus. Ela havia fugido e renegado a cidade dois anos atrás, junto com outro desperto desaparecido.
E por fim, em um gesto rápido, Apolo concentrou grande parte de sua energia divina em uma esfera e a lançou em direção aos céus, guiando-a ao festival. Assim... foi "finalizado" pela serpente, mas dando tempo suficiente para que os despertos se afastassem dali e também chegassem ao festival e iniciassem a busca pela desperta desertora.
Não demorou muito, pois haviam visto uma multidão de hippies, e no meio dela... uma garota ruiva, sardenta, de pele clara, vestindo um traje simples de tecido e usando uma coroa de flores, havia acabado de desmaiar — estava sob efeito de algumas drogas comumente consumidas no festival. O grupo aproveitou a situação e "sequestrou"/retirou a garota dali.
Próximo a Amélia, Liang pegou uma pulseira que claramente estava relacionada a luz guia que Apolo lançou, aonde ao seu centro uma pedra podia irradiar como o próprio sol.
- Amélia Michaels, filha e desperta de Afrodite, renegada da Cidade de Zeus após deixar e fugir do local junto a outro morador há dois anos atrás, logo após a pausa das intrigas entre gregos e romanos, antiga domadora do local e filha de Afrodite. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. Seu "auxiliar" de fuga havia cometido um crime de assassinar um desperto dentro da Cidade e fora da arena e ela é culpada por facilitar a sua ida ao longe das mãos da justiça da Cidade de Zeus.
Parte 2: O Acordar
Em meio à confusão do grupo tentando "ressuscitar Amélia", Janis Joplin, uma renomada cantora da época que estava no festival, acha o grupo e os leva para o camarim. Lá, a cantora se revela, na verdade, uma musa a mando de Apolo, convocada por ele pois já esperava que algo poderia ocorrer com si, graças ao seu cargo como deus da profecia. Amélia acorda confusa, tentando entender onde está. Liang, a musa e o grupo explicam a situação, e ela rapidamente concorda, mas parecia guardar um segredo consigo. O grupo não entendia o motivo de terem ido atrás da garota, mas Liang disse que isso não era importante agora.
Em meio a conversa, Liang engole em seco para tentar não perguntar o que poderia ter ocorrido com seu amigo após o cometer do crime... mas, tentou manter sua mente em foco a missão.
A musa abençoa alguns dos itens dos despertos presentes ali e entrega um escudo abençoado para Henry, que é revelado ser filho de Zeus, causando um choque enorme no grupo e ao mesmo tempo uma raiva interna em Damian Strong. A musa também entrega pedras místicas, para que possam se comunicar, elevar pequenas partes de seus poderes e não serem controlados por Circe. Logo após, ela revela a localização do esconderijo da deusa do submundo e o grupo, vai ao local.
A equipe atravessa multidões de pessoas em direção a uma caverna afastada da fazenda onde acontecia o evento. Sua movimentação chamava atenção, mas logo era notado por aqueles que estavam sendo seguidos, embora não pudessem agir perto de muitos humanos. Na entrada da caverna, virando de costas para a abertura do local, de todas as direções grupos começam a cercar os despertos ali mesmo, onde se viam encurralados; havia no mínimo 100 pessoas presentes.
Um hippie careca toma a frente, se aproximando mais, e logo pergunta o porquê de estarem tão longe do festival. Mas, antes que o grupo pudesse responder, ele se transforma em um enorme minotauro de quase 3 metros. Da mesma forma, todos os outros presentes com ele começam a assumir suas formas originais: centauros sombrios, harpias, minotauros e górgonas.
O grupo estava totalmente preso, havia um enorme número de monstros em praticamente todas as direções, uma encurralada perfeita. Mas... eles não recuavam. Todos sacam suas armas e iriam iniciar o combate que provavelmente os levaria à morte.
Porém, apesar do esforço, a quantidade de inimigos era gigantesca. Henry, o filho de Zeus, toma a frente do grupo e prepara seu escudo. Um enorme minotauro começa a correr em sua direção, mas o jovem se mantém imóvel. Quando o monstro iria se chocar contra o filho do rei dos deuses, um enorme trovão surge nos céus.
Amélia, vendo a valentia de Henry, ergue a visão para os céus, onde enormes nuvens negras trovejam impiedosamente. Ela une suas duas mãos a uma bandana vermelha que segura.
E para uma surpresa de todos... Liang já esperava aquilo — aquele era o plano oculto de Apolo e o motivo de terem "sequestrado"/levado Amélia consigo.
Um destrutivo e gigantesco raio cai sobre a criatura, bem à frente de Henry, despedaçando-a por completo enquanto seu corpo é queimado. O desperto assustado olha para suas mãos, confuso. Toda a eletricidade se espalha pelo local, formando uma gigantesca cúpula explosiva, que não fere nenhum dos despertos, mas eletrocuta e explode de forma totalmente agressiva todos os monstros presentes, reduzindo-os a pó em segundos.
Amélia aumenta ainda mais seu sorriso. Do raio que acabou de cair, é revelado o jovem de cabelos cacheados, volumosos e negros até os ombros, vestindo apenas uma calça hippie cor de vinho e usando um colar ao pescoço. Seu braço direito está marcado por marcas de raios e seus olhos estão totalmente furiosos e completamente brancos.
Ele grita, com um tom alto e poderoso que soa como uma onda de trovões, procurando o responsável "por aquilo". Raios exalam de suas mãos e qualquer monstro que tenha escapado é rapidamente destruído por ele, com socos ou raios lançados.
"Cadê a Amélia?!"
Os olhos de Liang se encheram de lágrimas enquanto seu coração acelerou sem pausa...
Era o desperto que fugiu e renegou a Cidade de Zeus junto a mulher:
- Raggio Zeppeli, desperto e filho de Zeupiteris Maximus. Não se sabe como ocorreu essa concepção proibida. O mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Cabelos cacheados e negros até os ombros, pele parda clara e pálida, pupilas totalmente negras e braço direito tatuado e marcado pelo Raio mestre de Zeus, pelo qual já foi atingido. Possui um corte na cintura esquerda causado pelas garras de um "Mega Leão de Nemeia".
Parte 3: A "Casa de Circe"
Liang se aproxima para agradecer e cumprimentar seu antigo amigo,
mas ele engole em seco e vira seu rosto.
A Rosa de Atena fora contra o mesmo devido a seu ato, ele sabia disso... entende as motivações de sua guilda não poder tê-lo apoiado... mas a mágoa ainda o corroía.
Ela lhe entrega uma pulseira com uma pedra ao centro e ele rapidamente a toma de sua mão e começa a repreendê-la pelo "sequestro" que eles armaram de Amélia para atraí-lo. A filha de Apolo começava a sentir alterações em seu corpo e começava a chorar pela pressão das falas do rapaz, sobre sua irresponsabilidade e do plano de Apolo. Ela rapidamente tomou a pulseira do garoto e saiu correndo do local de volta para o evento, deixando sua pedra de comunicação cair na "fuga". Ele ignorou o ato e o grupo se permaneceu calado na presença da superioridade que o jovem exalava.
A pressão de sua vontean os deixava sem ar, mas parecia não afetar Amélia que, com o tempo de vivência como mesmo, já estava acostumada com aquilo e já não a afetava.
O pior estava por vir. Raggio logo identifica Damian, que por ser um despertado do submundo e, aos olhos furiosos do garoto de cabelos cacheados, era uma ameaça e um possível traidor. Claro, o mesmo também tinha uma rixa pessoal com despertos do submundo pelo que os próprios o fizeram passar em sua estádia na Cidade de Zeus.
Amélia, vendo como as coisas estavam ficando perigosas para os outros despertos, rapidamente vai até Raggio. Quando ele a vê, logo perde o brilho branco dos olhos e corre para abraçá-la, beijando-a várias vezes na testa e perguntando se ela estava bem. Seu tom de voz era sensível e amável. A garota entregou uma bandana vermelha a ele e o mesmo a amarrou em seu braço direito. Ele logo vira de frente ao grupo e se desculpa pelo ocorrido e explica sua situação e o descontrole de poderes que possui às vezes.
O grupo explica a situação do ocorrido, mas o jovem não parecia muito interessado, apesar de ser ordem direta de Apolo. O despertado sempre via os olimpianos como irmãos comuns, mas Amélia o convence a ajudá-los. E também como forma de se desculpar... o grupo entra dentro da caverna.
Liang chegava ao camarim da Musa, mas esta última logo notara... Liang era uma espiã de Circe, não propositalmente, mas sendo manipulada e controlada. Ambas iniciam um embate após a herdanda tentar destruir a pulseira e a pedra com a adaga solar. Obviamente, a musa venceu, e assim utilizando seus poderes, levou o item novamente em direção ao grupo.
O item chega até a caverna e a Musa, em forma de uma pequena fada, explica a situação e o que era a pulseira e a pedra que ela continha: o Coração do Sol. Era grande parte do poder de Apolo que ele havia liberado e lançado enquanto era derrotado por Píton. A feiticeira quase conseguiu o item por meio de Liang, mas... a Musa o recuperou e ordenou que ficasse com Zeppeli. Mas antes, ela avisou que qualquer descontrole — seja de poder, sentimental ou afins — o poder divino que está armazenado ali queimaria sua pele, carne e ossos.
O despertado se negava a aceitar, pois ele não queria se envolver ainda mais com aquilo, mas a Musa falou que não importava, ele apenas teria de devolver aquilo a Apolo — e por pedido de Amélia e pensando na situação de Liang, mais uma vez... ele aceita.
Após muito andarem dentro do local, o grupo acha uma área coberta de teias de aranhas, o que fazia o coração de Raggio acelerar, pois era sua fobia. A pulseira seguia a fala da Musa, logo começando a queimar, as chamas de Apolo por todo pulso esquerdo do rapaz se expandindo pelo antebraço. Rapidamente, Aracne se revelava — esta que já havia atacado os desertores e Liang quando se encontraram após a saída da dupla da cidade.
O grupo iniciava o embate contra as várias de suas crias aranhas e a própria, exceto por Raggio, que permanecia paralisado com os seres e tendo seu braço consumido pelo poder solar de Apolo, devido ao seu descontrole sentimental. A batalha estava tensa, ainda mais por terem de defender um "peso morto" durante isso tudo.
Porém, Amélia, usando seus sentimentos pelo jovem e os poderes de sua pedra mística, consegue auxiliar o garoto a se recuperar e superar seus medos, vencendo o trauma que a própria Aracne causou em sua infância. Fazendo seu braço parar de queimar, mas ainda mantendo as marcas de queimaduras como se fossem tatuagens de chamas.
Com todos prontos, rapidamente eles vencem a inimiga, a destruindo... mas ao fim do corredor, atrás do corpo desta, havia uma enorme luz branca. Damian apenas confirmou — ele sentia magia... e as presenças que ele sentia, ele já havia sentido antes... junto de Apolo na vinda ao festival de Woodstock. Circe e Píton estavam lá.
Parte 4: Raio Solar
O grupo, preparado para o que iria enfrentar, rapidamente entra no local e dá de encontro com a deusa da feitiçaria e com Píton. Rapidamente um embate se inicia. Circe lança um feitiço em área para impedir que os despertos usassem seus poderes e itens de abençoados pela Musa aliada. Porém, Raggio entra em estado de fúria ao ver que o ato os feria — especialmente Amélia. Seus olhos ficam totalmente brancos, e sua eletricidade anula completamente a magia de Circe. Afinal, em seu braço esquerdo se ascendia uma fagulha do raio mestre, que altera a eletricidade de seu corpo, permitindo-lhe por aquele momento tornar-se imune e anular quaisquer magias ou maldições. Em um ataque rápido, a deusa facilmente se defendeu mas perdeu o foco do restante do grupo, os libertando.
No entanto, isso ativava o Coração do Sol, que começava a queimá-lo enquanto ele gritava de dor. O grupo foca em derrotar Píton que também era atacada por dentro graças a Apolo que ainda estava vivo e a enfraquecia constantemente, deixando Raggio e Amélia contra Circe.
O grupo original, com o auxílio do Arco Divino de Apolo empunhado por Liang que surgia ainda não totalmente recuperada, mas lançando seu arco para Amélia aonde juntas: disparam um tiro solar que começa a pressionar Píton, tentando impedir que a mesma entre em contato direto com o solo e mirando sempre em seus olhos. Os combates são árduos, e Circe rompe o equilíbrio ao ativar sua forma divina, envolvendo rapidamente Amélia em sombras, tentando sufocá-la. Isso faz com que Raggio perca ainda mais o controle e se queime de forma exponencial por todo o braço esquerdo. Na distração, a deusa torna-se intangível e move-se para trás de Raggio, tornando-se tangível novamente ao atravessar a mão por suas costas, até alcançar seu coração e o segurar.
Amélia, quase sem ar e próxima da morte, usa o pouco fôlego que ainda tem para pedir calma ao garoto. Com lágrimas no rosto, ela se declara, dizendo que o amava. Ele fecha seus olhos. Então, a pulseira exala uma gigantesca chama e luz, dissipando as sombras que prendiam a filha de Afrodite. As chamas cobrem todo o corpo de Circe e a queimam completamente, ao mesmo tempo que Zeppeli libera uma descarga elétrica que elimina por alguns segundos a magia da feiticeira. Todos esses danos combinados a lançam levemente para trás — e também a amedrontam.
Quando o filho de Zeupiteris Maximus abre os olhos, eles brilham com um forte clarão dourado. Suas mãos exalam as chamas divinas de Apolo e sua eletricidade como filho do rei dos deuses. Ele estava agora controlando o poder do Deus do Sol e, por um momento, se auto declarou como tal. Todo o grupo recua por ordem dele, que levanta sua mão direita, gerando um raio solar, eletricidade divina unida com as chamas do deus Apolo, e lançando um devastador ataque contra Píton e Circe. A deusa menor desmaia na hora, e a enorme serpente é eletrocutada até vomitar... libertando assim o Deus do Sol.
Apolo agradece a Raggio e retoma seus poderes, finalizando a serpente.
Fora da caverna, Apolo mantém Circe selada e afirma ter obtido informações valiosas — e como bônus, conseguiu prender a deusa. O deus permite que todos fiquem com as bênçãos da musa, entrega uma benção a Zeppeli, que lhe permite convocar as chamas do sol como ele fez contra Circe, e cura grande parte das queimaduras que ele sofreu. No entanto, o jovem recusa a cura completa, pedindo para manter algumas marcas como lembrança.
Apolo deixa os despertos da Cidade de Zeus em sua cidade e leva a dupla de desertores de volta à sua casa. O Deus do Sol então retorna a Zeus, revelando e entregando tudo que descobriu sobre os acontecimentos e os planos do submundo.
1.3 - A Queda do Mundo
Parte 1: 19.2 na escala Richter
Todo o planeta sofria com terremotos gigantescos e incontáveis. Embora houvesse longas pausas entre eles, os abalos ainda causavam destruição devastadora. Os deuses, consumidos por suas paranoias com uma possível guerra, não se deram ao trabalho de investigar ou resolver a causa. Em vez disso, convocaram ajuda diretamente na Cidade de Zeus. No entanto, a maioria dos seus despertos mais poderosos encontrava-se reunida em uma única missão.
Amélia Michaels e Raggio Zeppeli foram contratados, como de costume, para investigar um caso dito "paranormal" — que, na verdade, se tratava de mais uma caçada a monstros. Ambos vivem disso, sendo pagos por suas habilidades. O caso em questão envolvia o sumiço de grandes quantidades de peixes de um criatório em uma fazenda no Texas. Mesmo com reforço de seguranças, os roubos continuavam acontecendo em poucas noites.
Assim que a dupla chegou ao local, não demorou para localizarem os responsáveis: mega-harpias — uma variante evoluída e fortalecida pelas forças do submundo — acompanhada por um pequeno exército de harpias comuns.
- Amélia Michaels, filha e desperta de Afrodite, renegada da Cidade de Zeus após deixar e fugir do local junto a outro morador há dois anos atrás, logo após a pausa das intrigas entre gregos e romanos, antiga domadora do local e filha de Afrodite. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. Seu "auxiliar" de fuga havia cometido um crime de assassinar um desperto dentro da Cidade e fora da arena e ela é culpada por facilitar a sua ida ao longe das mãos da justiça da Cidade de Zeus.
- Raggio Zeppeli, desperto e filho de Zeupiteris Maximus. Não se sabe como ocorreu essa concepção proibida. O mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Cabelos cacheados e negros até os ombros, pele parda clara e pálida, pupilas totalmente negras e braço direito tatuado e marcado pelo Raio mestre de Zeus, pelo qual já foi atingido. Possui um corte na cintura esquerda causado pelas garras de um "Mega Leão de Nemeia".
Após a vitória contra as criaturas, novos e ainda mais intensos tremores sacudiram o planeta, causando destruição em massa: cidades, pontes, prédios... tudo desabava. Foi então que Gaia, a Mãe-Terra, apareceu diante dos dois. Sua forma era a de uma mulher nua, feita de terra e flores. Ela estava desesperada, buscando ajuda. Explicou que Atlas, o titã condenado a sustentar o peso do mundo, havia sido amaldiçoado por uma poderosa magia do submundo, que enfraquecia sua força, resistência e vitalidade lentamente. O plano era simples e cruel: fazer com que Atlas não conseguisse mais suportar o peso do mundo, causando seu colapso. Isso destruiria Gaia, o titã e todos os seres terrenos da hyperexistência — criando uma distração para que Zeus baixasse a guarda em meio ao caos.
Raggio hesita. Ele considera recusar, afinal, sabe do que os titãs já tentaram contra o Olimpo, e enxerga uma oportunidade de vantagem em meio ao conflito. Mas Amélia o convence: não havia outra escolha. Concordam, então, em ajudar.
Mãe-Terra os envia à Cidade de Zeus para buscar aliados. Apesar de desertores, são bem recebidos por Arlone Águas Frescas, o ainda prefeito. — embora nem todos os descendentes compartilhassem desse acolhimento. Muitos acreditavam que os dois estavam mortos ou eram apenas lendas contadas pelos corredores. Sophie, no entanto, rompe o silêncio com uma frase: "O desperto mais poderoso voltou."
A presença da dupla definitivamente incomodava alguns, mas ao mesmo tempo trazia um parecer no coração daqueles que os conheciam antes.
Britta Karin tentou trocar olhares com Raggio que não conseguiu fazer o mesmo.
Mia e Anna Graam conseguiram um breve contato com o mesmo, acompanhadas por Liang Quan.
No centro da cidade de Zeus: Arlone convocou os mais poderosos despertos da cidade de Zeus para a presença de Raggio e Amélia, para que pudessem escolher quem os acompanharia nessa missão.
Pelo prefeito, era esperado que os membros de sua antiga guilda fossem convocados... mas, não foi o que acontecera. Seu coração ainda carregava o peso e fora lido por Anna que deixou o local dizendo-se compreensiva, assim como Britta Karin que permaneceu estática ao ambiente e olhando a Amélia Michaels.
Para surpresa de todos ao ambiente e a revolta de grande maioria...
Raggio convoca Henry, seu irmão mais novo e também filho de Zeus, e Amélia convida Sophie, uma caçadora de Ártemis e amiga de Raggio. Apesar das desavenças iniciais entre Sophie e Amélia, ambas sabiam que tinham um dever maior a cumprir.
- Henry Gallager, desperto e filho de Zeus, Cabelos castanho-escuros, olhos da mesma cor, pele branca. Usa uma espada comum. É um apto lutador e com um grande potencial. Em pouco tempo, sua fama cresceu na Cidade de Zeus sendo um espelho heroico que dizem ter sido "perdido" pelo "irmão" mais velho suprindo o vazio deixado em 1967 como uma esperança para uma futura guerra contra romanos.- Sophie Rosie, Desperta de Apolo e Caçadora de Ártemis, tornou-se caçadora de Ártemis aos 14 anos e desde então segue fielmente a deusa. Foi a primeira a notar Raggio na Cidade de Zeus e nutre fortes sentimentos por ele. Extremamente sábia, costuma dar aulas e treinos até para descendentes de Ares. Utiliza o arco como arma principal. Nutre certa antipatia por despertas de Afrodite.
Henry era visto como a esperança para um futuro enquanto Raggio era visto como o que abandonou e manchou sua própria honra. A cidade se revoltou com a escolha, mas o filho "duplo" do rei dos deuses não pareceu se deixar abalar.
Parte 2: Pináculo da Força
O grupo se reuniu na Casa Grande e recebeu suprimentos do prefeito como agradecimento pela ajuda da dupla, além de equipamentos de guardiões da Cidade de Zeus. Raggio recusou-se a vestir o uniforme e, em silêncio, todos se dirigiram para fora dali.
Do lado de fora, Gaia apareceu diante do grupo. Com a voz enfraquecida, entregou-lhes um colar com três contas mágicas. Com elas, poderiam se teletransportar para qualquer lugar que conseguissem visualizar claramente e ao qual fossem permitidos. Seguindo as instruções recebidas, os quatro imaginaram o destino inicial, o Jardim do Início. Num piscar de olhos, o grupo foi transportado.
Ao longe, podiam ver Atlas — ou o que restava dele — ajoelhado sob o peso do mundo, uma criatura colossal com mais de seus 100 metros. A esfera que simbolizava Gaia, que parecia ter o mesmo tamanho de Atlas, embora menor que o globo real, ainda mantinha todo seu peso místico. O titã segurava a esfera com a mão direita e as costas, mal conseguindo se manter de joelhos com a outra mão fincada ao solo. Ele não falava, apenas tremia de exaustão.
Gaia, extremamente enfraquecida, explicou: a única salvação de Atlas estava no Pomo Dourado, localizado no Jardim do Fim, no extremo oposto daquele plano... porém, algo parecia incomum em sua fala. Talvez, fora sua condição. Mas, enquanto explicava, sua força se esgotou.
Foi nesse momento que tudo se rompeu.
Atlas perdeu a última gota de força. Seu corpo cedeu. A esfera da Terra despencou.
O mundo inteiro começou a ruir — era o fim.
Tudo parecia perdido...
Até que uma figura correu entre os tremores como uma centelha elétrica no meio do caos. Uma formiga? Raggio Zeppeli.
Com um grito feroz e um brilho sobrenatural nos olhos, Raggio chutou o corpo do titã encolhido — que agora havia reduzido-se ao tamanho de um humano gigantesco —, lançando-o para longe, salvando-o de ser esmagado. Mas ele mesmo ficou... e o mundo caiu sobre ele.
Silêncio.
Amélia caiu em lágrimas, tentando correr, mas foi segurada com força por Sophie, que colocou a mão em seu peito, tentando conter a dor que ambas sentiam. Henry observava em choque. Um poderoso terremoto irrompia do ponto de impacto.
O chão começou a se erguer de novo...
E então, ali, abaixo da gigantesca esfera que representava o mundo, ele estava. Um vulto de pura força.
Os olhos de Raggio agora brilhavam em branco absoluto, como relâmpagos concentrados em sua alma. Suas pupilas negras haviam sumido. Raios percorriam suas veias como rios de energia viva. Sua pele se rasgava em vários pontos, o sangue escorria enquanto os músculos de seus braços e costas explodiam com o esforço. Suas vestes superiores estavam completamente destruídas. Mas ele não cedia.
Raggio Zeppeli estava segurando o mundo, Gaia.
Apoiou-o em suas costas, como fizera Héracles séculos atrás. Dor. Determinação. Sacrifício.
Com a voz trêmula, mas firme, gritou para seus companheiros:
— ENCONTREM... O POMO!
Do céu, uma águia colossal desceu com a força de uma tempestade. Um Grifo, convocado por Raggio. Amélia, com as mãos trêmulas, entregou ao grifo o colar do jovem guerreiro. A criatura ouviu a mensagem, entendeu o destino. Com um poderoso rugido, suas asas se abriram como muralhas de vento.
Amélia, Henry e Sophie subiram na criatura divina e, com um último olhar para o descendente que segurava o mundo, partiram em direção ao Jardim do Fim, na busca desesperada pelo Pomo Dourado — a última esperança de todos os vivos.
Parte 3: O Pomo Dourado
Em chegada, o grupo se depara com um gigantesco portão divino, marcado com o símbolo de Ômega. No centro do portão havia uma enorme abertura em forma de chave. Henry, ao sentir uma estranha presença no ar, avistou à distância uma figura colossal: um ciclope primordial adormecido, encostado em um pequeno monte, com a chave pendurada em seu pescoço.
A simples ideia de se aproximar furtivamente foi descartada. O olfato aguçado do ciclope, somado ao cheiro marcante que Henry exalava por ser descendente de um dos Três Grandes, tornaria impossível uma aproximação sem alarde. A única alternativa plausível foi o ataque direto.
Henry concentrou seu poder, invocando um pequeno raio que canalizou para seu martelo, aumentando sua potência. Lançou a arma contra o monstro ao mesmo tempo em que Amélia e Sophie, lado a lado, disparam flechas encantadas. Os ataques o atingiram, mas, longe de serem letais, apenas despertaram a ira do gigante.
O ciclope se ergueu furioso, pronto para devastar tudo ao seu redor. Num ato heroico, o grifo rugiu e disparou suas penas cortantes, fazendo a criatura tombar com o rosto no chão. Aproveitando a breve vantagem, o grupo rapidamente traçou um novo plano.
Amélia, como filha de Afrodite, deveria usar seu dom de sedução para distrair o ciclope. Enquanto isso, Sophie montaria no grifo para alvejar a corrente que segurava a chave, e Henry ficaria posicionado para pegá-la assim que caísse.
O plano parecia funcionar. Ao recobrar a consciência, o ciclope viu Amélia e, enfeitiçado por sua beleza, caiu de joelhos diante dela, hipnotizado. Tomado por um impulso cego, estendeu sua mão e agarrou a garota com sua mão direita. O grupo se desesperou, mas Amélia manteve a calma, prosseguindo com sua manipulação.
Tudo ia bem... até que uma sombra negra atravessou o campo, acompanhada por uma voz sombria e um frio cortante no ar. Num instante, o feitiço sobre o ciclope se dissipou. A criatura despertou completamente e, confusa e furiosa, começou a apertar Amélia com força esmagadora.
Ela lutava desesperadamente, mas a força brutal do ser primordial era superior a qualquer resistência. Henry e Sophie, com o grifo, atacavam com tudo o que tinham, mas nada parecia surtir efeito. O som de ossos se partindo ecoou na mão do ciclope...
Foi o suficiente para congelar o mundo por um instante. Henry, paralisado, não sabia como encararia Raggio. Sophie, incrédula, sentia o coração despedaçar. Mas antes que a dor consumisse a todos, uma luz rosa intensa começou a emanar da mão do ciclope.
Subitamente, a criatura gritou de dor e abriu a mão. De dentro dela, envolta por uma aura divina, surgiu Amélia. Seus cabelos agora estavam prateados, enormes asas cintilavam em suas costas, suas vestes assumiram traços celestiais e suas mãos eram cobertas por luvas douradas.
A simples presença dela fazia o ar vibrar — Amélia havia alcançado o que nenhum outro desperto havia conseguido: a "forma divina", equiparando-se ao poder de um deus. Uma transição incompleta... é claro, mas ainda sim poderosa. Emanando o puro gene divino que foi despertado pelo momento de desespero intenso, medo, amor e o nível de poder necessário que nenhum desperto de Afrodite havia conquistado até então.
A chave para um novo mundo.
Amélia comparou-se até mesmo ao nível de poder de Raggio!
Ela estendeu a mão, e com um gesto gracioso lançou sua magia que acertou o ciclope em cheio.
Qualquer um que estivesse diante dela sem um amor verdadeiro, sincero e recíproco se apaixonaria imediatamente. E foi exatamente o que aconteceu com Henry, irmão mais novo de Raggio.
A criatura a colocou ao chão com cuidado e apaixonado sob suas ordens, voltou a adormecer.
Após o feito, Amélia retornou à sua forma normal, confusa com o que havia ocorrido. Mas não havia tempo a perder. O portão foi finalmente aberto, e além dele, um cenário celestial se revelava: o Jardim do Fim.
Ao centro de um monte coberto por uma relva verde intensa, encontrava-se uma única e majestosa árvore, onde repousava uma maçã dourada. O grupo caminhou até ela, e no instante em que Henry estendeu a mão para tocá-la...
Mas então, a sombra e a voz sombria retornaram com intensidade. Uma força invisível obrigava cada um ali a confessar seus erros e pecados mais profundos. O ar pesado se condensou até formar uma figura: Hera, a rainha dos deuses.
Cega de ciúmes e rancor, Hera conjurou um dragão colossal de cem cabeças, moldado com seu próprio poder divino. Sua intenção era clara: aniquilar dois filhos de Zeus de uma vez — especialmente o mais velho que em outro ponto, estaria ocupado o suficiente para ser uma presa fácil.
O grupo tentou aproveitar a distração para fugir com a maçã, mas o dragão os bloqueava com ferocidade.
Diante da ameaça impossível, Henry clamou por Zeus, seu pai, mas não obteve resposta. Sophie orou a Ártemis e a Apolo, também sem sucesso. Nenhum deus ousaria interferir contra a vontade da rainha do Olimpo.
Por fim, Amélia ajoelhou-se e rezou... para a própria Hera. Em suas palavras, confessou seus sentimentos sinceros pelo filho mais velho de Zeus, declarando o desejo de construir uma vida ao lado dele.
A deusa, inicialmente chocada, foi tomada por um silêncio introspectivo. Ao perceber a veracidade dos sentimentos de Amélia, Hera dissipou o dragão, permitindo que colhessem a maçã. Antes de partir, advertiu-os: um único deslize, um ato de traição — e todos se tornariam inimigos do Olimpo.
De volta, o grupo chegou a tempo de testemunhar Zeppeli sendo atacado por inúmeros monstros, resistindo com bravura e sem desviar o olhar de seu objetivo.
Mesmo sendo ferido e constantemente atacado, seu corpo não se movia do seu dever.
Raggio, ao notar a chegada de seus companheiros, sorriu. Com isso, liberou uma descarga elétrica colossal, aniquilando os inimigos em seu redor. Afirmando que só teria forças para uma ação desta então usou com cuidado. O grupo correu até Atlas, fazendo-o morder e engolir metade da maçã.
O pomo poderia ser comido por duas metades, mas apenas uma metade por ser.
Dando assim, a cura suprema para qualquer enfermidade ou maldição.
O titã finalmente despertou, erguendo-se em sua colossal forma e retirando o mundo das costas do filho do rei dos deuses. Ele agradeceu pela libertação... mas revelou uma amarga verdade.
Durante o caos, Gaia surgira e roubara a outra metade do pomo. Sophie, que o segurava, foi pega de surpresa, sem chance de reação.
A Titã, sorridente, revelou que nunca poderia entrar no jardim sozinha — foi graças aos próprios descendentes que seu plano funcionou.
Ela desapareceu deixando uma promessa sombria: os titãs se reergueriam, um a um...
Atlas, que se dizia imparcial no conflito entre deuses e titãs, agradeceu novamente e enviou o grupo de volta à Cidade de Zeus.
No entanto, apesar da vitória parcial, a traição da Mãe-Terra pesava sobre todos. A sensação era amarga — o plano de Gaia fora impecável.
No Olimpo, Zeus explodia de raiva. As portas do salão se abriram, revelando Raggio acompanhado de Amélia. Zeus os acusou de traição, mas Atena interveio, pedindo que o pai ouvisse o irmão desperto.
Raggio e Amélia explicaram tudo: o estado de Atlas, o roubo do pomo, e a ausência de envolvimento da Cidade de Zeus na traição. Assumiram total responsabilidade e justificaram que, apesar da perda do pomo, o mundo havia sido salvo por sua ação.
Como penitência, Raggio pediu o direito de realizar uma missão em nome de seu pai, para impedir Gaia. Zeus, relutante, aceitou — mas os expulsou do Olimpo. Antes de partir, pai e filho trocaram um olhar carregado de mágoa, e Raggio, firme, renunciou a lealdade ao pai diante dos Doze após cumprir seu ato.
Na Cidade de Zeus, a tragédia final veio como um golpe impiedoso. Akhlys, um espírito do nevoeiro da morte e da miséria fortalecido por Gaia, atacou... de alguma forma conseguiu adentrar a cidade. Apesar de ser derrotada, sua investida custou a vida de diversos heróis — entre eles, Sophie Rosie e Henry Gallager.
A missão foi concluída, o mundo salvo... mas a dor da perda e o gosto amargo da traição permaneceriam para sempre.
1.3 - Vietnã
Parte ´Única: Um novo tempo
Amélia Michaels e Raggio Zeppeli, sendo os despertos de maior ranking da Cidade de Zeus, foram enviados diretamente ao Vietnã, por ordens diretas do próprio Zeus, como parte de sua penitência. Ambos haviam retornado à Cidade de Zeus após sua missão anterior, convocados pelo rei dos deuses. Como punição por atos anteriores, receberam a tarefa de investigar um foco de energia divina incomum na existência: o mundo humano, supostamente ligado à presença do pomo dourado.
- Amélia Michaels, filha e desperta de Afrodite, renegada da Cidade de Zeus após deixar e fugir do local junto a outro morador há dois anos atrás, logo após a pausa das intrigas entre gregos e romanos, antiga domadora do local e filha de Afrodite. Ruiva, olhos verdes, cabelos longos, branca e com sardas. Seu "auxiliar" de fuga havia cometido um crime de assassinar um desperto dentro da Cidade e fora da arena e ela é culpada por facilitar a sua ida ao longe das mãos da justiça da Cidade de Zeus.
- Raggio Zeppeli, desperto e filho de Zeupiteris Maximus. Não se sabe como ocorreu essa concepção proibida. O mesmo renegou a Cidade de Zeus após assassinar friamente Einion Griffith, arranco-lhe a cabeça em vingança pelo mesmo ter assassinado e canibalizado Selina Louis. "A arma viva". Cabelos cacheados e negros até os ombros, pele parda clara e pálida, pupilas totalmente negras e braço direito tatuado e marcado pelo Raio mestre de Zeus, pelo qual já foi atingido. Possui um corte na cintura esquerda causado pelas garras de um "Mega Leão de Nemeia".
No Vietnã, foram recebidos por uma base americana onde conheceram o capitão Surge Glaren — um descendente de Zeus que nunca despertou. Mesmo assim, Glaren revelou grande habilidade e sabedoria, oferecendo a Raggio um treinamento especial, reforçando sua conexão com o poder divino e o preparando para as batalhas que viriam. Como sinal de respeito e aliança, Glaren entregou a Raggio um uniforme especial conhecido como "Ωmega Divino" — composto por calças reforçadas, botas blindadas e uma jaqueta símbolo da resistência. Raggio, tocado pelo gesto, presenteou a jaqueta a Amélia.
Mas, o filho do rei dos deuses deixou claro que não enfrentaria humanos e tão pouco ajudaria nas partes dessa guerra que envolve-se os vietnamitas... seu dever ali era contra criaturas e o foco de energia divina.
Durante essa missão, Raggio cruzou o caminho de Misseias Sqef, um desperto e filho direto de Júpiter — um dos mais poderosos já vistos. O confronto foi brutal. O poder de Misseias era descomunal, mas a determinação de Raggio prevaleceu. Ao final do combate, Raggio se viu diante do corpo derrotado do adversário. Sentiu um pesar profundo — apesar de ser inimigo, Misseias era, de certa forma, seu irmão. O semblante do caído lembrava-lhe Henry, morto meses antes pela criatura que mais tarde foi revelada ter sido influenciada pelo poder de Gaia. A lembrança reabriu feridas antigas e alimentou sua raiva contra os deuses por jogarem seus descentes em guerras sem fim.
Raggio e Amélia permaneceram por meses enfrentando criaturas corrompidas, investigando ruínas e eliminando aberrações criadas pelo colapso das fronteiras divinas. Em meio à devastação, seguiam pistas sobre o local de origem da energia anormal. Criaturas híbridas, humanos alterados e antigos despertos corrompidos eram enfrentados diariamente, até que chegaram ao que parecia ser o centro do distúrbio.
Em uma das últimas batalhas antes da revelação, a dupla é emboscada no estacionamento de um veículo militar por um ser corrompido. Era Einion Griffith — um antigo desperto de Hércules, agora transformado em um cadáver ambulante com poder colossal. Com olhos ardendo como brasa e uma aura negra, trouxe à vida uma Hidra, forçando os dois a se separarem. Raggio enfrentou o Einion e seus dois clones criados por poder sombrio, enquanto Amélia duelava com a Hidra, cortando-lhe as cabeças com maestria. Ao final, a Hidra foi abatida e Raggio destruiu seus oponentes, ciente de que Einion, também, fora seu irmão um dia.
Após uma noite de viagem, os dois encontraram uma zona dominada por Geminis — criaturas humanoides com traços de serpente. Ao segui-los até um prédio parcialmente destruído com um buraco profundo no solo, escutam a voz de Gaia ecoar pelas paredes. A raiva toma Raggio, mas ele mantém o foco. Descendo ao buraco, descobrem um salão antigo e um elevador no fundo. A voz de Atena ressoa, desafiando Amélia, filha de Afrodite, e seu meio-irmão, filho do rei dos deuses. Cada andar do elevador representava um desafio criado pela própria deusa.
Após vencerem os enigmas, encontram-se diante do trono de Atena. Aegis, seu escudo sagrado present4ado pelo seu pai, jaz a seus pés — ela já não era digna de empunhá-lo. Em meio a provocações, o combate começa.
Atena era uma traidora. Aliada a Gaia, aos Titãs e... a Minerva, sua contraparte romana, que surgia do outro lado da sala.
Ambas comentavam sobre a raiva que sentiam de seu pai, até que um poder monstruoso e divino tomou o ambiente — uma luz celestial que revelava as duas em sua forma unificada: Athenerva Custos, a deusa da sabedoria original, antes da cisão entre as versões grega e romana.
Ela então revelou que tudo o que havia acontecido desde o início fazia parte de seu plano de vingança contra Zeus e Júpiter, por aquilo que fizeram com sua mãe, Métis, quando os deuses ainda eram um só. E revelou a verdade:
Athenerva Custos era filha de Zeuspiteris Maximus — a forma original e unificada de Zeus e Júpiter — e Métis. Na época, Métis estava grávida de gêmeos. Um oráculo profetizou que sua esposa daria à luz dois novos deuses:
— Um seria dotado de grande poder, astúcia e sabedoria. Que deveria ser nomeada de "Tritogenia".
— O outro destronaria o rei dos deuses, sendo seu superior em um futuro distante, e com isso: inauguraria uma nova era divina.
Temendo a profecia, Zeuspiteris enganou e engoliu Métis para impedir os nascimentos. Porém, Athenerva ainda conseguiu nascer e foi nomeada como tal. Mas, ela acreditava que a essência de seu irmão gêmeo permanecia adormecida dentro do corpo do pai.
Com a separação entre os panteões grego e romano, Atena e Minerva mantinham contato secreto e elaboravam planos para que Zeus e Júpiter gerassem novos filhos — numa esperança de que a essência do irmão renascesse. Tudo em vão.
Mas, entre os anos de 1944 e 1945, Atena e Minerva convenceram Zeus e Júpiter a se fundirem mais uma vez como Zeuspiteris, para gerar um novo filho divino que unificaria os dois lados da divindade e traria equilíbrio.
Apesar do imenso poder da criança gerada, ela não era o que esperavam. Ele era estável, raivoso... não carregava os traços de um rei. Era um ser divino poderoso o suficiente para rivalizar com os olimpianos e até mesmo superá-los — mas ainda não era o irmão perdido de Athenerva.
E em meio a decepção de Atena e Minerva, desconfiado de uma possível traição: Júpiter sequestrou a criança e a criou sob sua tutela até sua fase adulta. Esse ato rompeu o frágil tratado e reacendeu a guerra entre gregos e romanos, agora envolvendo semideuses, entidades menores e criaturas mitológicas. O conflito se arrastou até 1949, encerrado por um novo tratado — não mais pela união, mas pelo equilíbrio.
Para manter essa paridade, Zeus e Júpiter novamente se uniram e criaram uma segunda criança. Dessa vez, com uma mortal escolhida por Atena e Minerva: Elizabeth DeWitt, uma descendente desperta de Métis. Era a última cartada da "dupla".
O plano funcionou. O poder latente de Métis em Elizabeth, somado à essência divina de Zeuspiteris, deu origem ao renascimento da alma aguardada por Athenerva: Raggio Zeppelli, inicialmente nomeado de Odin DeWitt.
Tomado pela fúria ao descobrir a verdade, Raggio despertou sua forma divina. Durante o confronto, conseguiu empunhar o Aegis, o escudo sagrado do rei dos deuses. Com golpes certeiros, acompanhou por breves instantes a velocidade e poder da deusa unificada e primordial.
Contudo, ela logo retomou o controle do combate e subjugou com facilidade Raggio e Amélia, mesmo em suas formas divinas.
Athenerva então declarou que não mataria seu irmão, pois ele era parte essencial de um plano maior. Um plano para destronar Zeus e assumir, juntos, o futuro dos deuses — e daqueles que ainda surgiriam.
Ofereceu a Raggio uma escolha: se ele se aliasse a ela, pouparia Amélia e permitiria que ela o acompanhasse até o Olimpo como sua amante. Raggio, por sua vez, tomaria uma deusa como esposa, para perpetuar sua linhagem divina.
Raggio era único. Filho de uma desperta com um deus duplo. Não era apenas deus, tampouco apenas semideus — era algo entre os dois. Um novo tipo de ser. A culminação do sonho de Athenerva.
Mas antes que pudesse responder, o campo de batalha estremeceu.
Zeus, Hades e Poseidon desceram dos céus. Gaia surgiu logo depois, trazendo consigo metade do Pomo Dourado, revelando que a energia divina liberada naquele combate fora suficiente para trazer de volta a essência do Titã Chronos, que há milênios estava selado nas profundezas da Terra mortal.
Athenerva protestou: libertar Chronos não fazia parte do plano. A outra metade do pomo deveria ser usada para um ritual de poder divino para encontrar a "The Fall of Olympus" para que Raggio a empunhasse. O nome deixou Amélia e Raggio confusos... o que era aquilo e por que deveria ser empunhada?
Antes que Zeus ou Raggio pudessem agir, um clarão dourado explodiu.
A voz de Chronos ecoou por toda a sala, e o som de batidas de relógio preencheu o ar, selando o destino de todos os presentes.
[.............]
Agora era 1999. Todos os seres gregos com sangue divino — despertos, descendentes e abençoados — foram lançados em um tempo que jamais haviam conhecido.
Gaia desaparecera, e os deuses perderam a memória do ocorrido. No chão, o pomo dourado apodrece e vira pó. Mas não antes da Trindade Soberana — Zeus, Hades e Poseidon — se ver frente a frente com suas contrapartes romanas que surgiram logo ali, questionando onde estiveram por todo esse tempo.
Os deuses haviam desaparecido por anos, tempo o suficiente para que os romanos tomassem controle dos territórios antes gregos.
Júpiter revela a Zeus que a ausência dos deuses gregos abriu espaço para que os romanos dominassem a existência e a hiperexistência, ao mesmo tempo em que levou ao desaparecimento dos rastros dos Titãs. Zeus, furioso, ordena que Júpiter devolva as terras gregas e revela a traição de Athenerva, que teria se aliado aos Titãs, provavelmente escondidos e preparando algo. No entanto, Júpiter parece indiferente — o poder adquirido com o domínio dos territórios lhe era suficiente. Com confiança, afirma que, caso os Titãs aparecessem, ele os derrotaria por conta própria.
Sem muitas palavras, Zeus e Júpiter iniciam o confronto, seguidos por Poseidon contra Netuno, Hades contra Plutão. No meio da batalha, surge Raggio, filho do próprio Zeus... e também de Júpiter. Nascido da união de ambos em um corpo só, Raggio se coloca entre os dois pais, interrompendo o confronto. Um silêncio tenso toma conta.
Júpiter e Zeus cessam os ataques, mas anunciam o inevitável: a guerra entre gregos e romanos havia sido oficialmente reacendida. Em meio à nova era, sem saber onde estão os verdadeiros inimigos — os Titãs — despertos e deuses se reorganizam.
Mas... última punição à traição, Zeus e Júpiter amaldiçoam Athenerva em lhe tornar uma mortal comum, sem poderes. Então, Zeus a obriga a assumir o cargo de prefeita da reconstruída Cidade de Zeus — uma cidade agora fragmentada no tempo e espaço, refúgio dos últimos despertos gregos. Ela deverá cuidar dos moradores ali, sob os olhos atentos dos deuses que tentaram se reunir para se recuperarem para essa inevitável guerra.
A bagunça temporal estava feita. Despertos do passado, do futuro, e até os mortos retornaram. E todos sabiam: a verdadeira guerra ainda estava por vir.











